César Tizo, editor executivo

O RS 6 talvez é um dos carros mais completos que você pode encontrar no mundo. Ele pode levar você e sua família viajar com toda a bagagem acomodada sem problema no porta-malas, pode levá-lo para o trabalho todos os dias e, se você gostar mesmo de carro, pode utilizar esta “super station” em um autódromo sem fazer feio! Aliás, poucos carros ainda conseguirão segui-lo.

O título de “station wagon mais rápida do mundo” já diz muita coisa, mas é só assumindo o volante deste Audi que você consegue entender o que ele significa.

É difícil colocar o câmbio na função de trocas manuais e pisar fundo no acelerador. Não por uma questão de vontade, mas por falta de lugares para fazer isso!

Extremamente ágil, o RS 6 surpreende por suas acelerações e em especial pelas retomadas. Sabe quanto tempo ele precisa para cumprir o 80 a 120 km/h? Só 2 segundos! Isso mesmo. Quer outra informação para você ter como base? Partindo da imobilidade ele percorre um quilômetro em apenas 21s4 e chega a marca dos 1.000 m com a velocidade de 246 km/h apontando no velocímetro.

Seu conjunto de rodas aro 21” e pneus 285/30 conferem uma aderência digna de quem tem 560 cv abaixo do capô. O problema é que, como notamos no carro testado, as rodas sofrem em nosso piso cheio de buracos e imperfeições e elas se amassam facilmente. Logo, é necessário dirigir com atenção.

A tração integral quattro está lá para manter os pneus sempre abraçados ao asfalto, mas, talvez até para não perder seu caráter familiar ou dar uma sensação de que você, por incrível que pareça, está a bordo de uma station, não me agradou a (controlada) oscilação lateral da carroceria em algumas curvas rápidas.

Só que isso é uma crítica muito pequena frente ao conjunto excepcional que o Audi RS 6 entrega. Destaque para o uso de materiais nobres na cabine, como a mescla com couro e Alcantara, além de refinamentos como um destacado sistema de som. Sem dúvida um dos carros mais interessantes que já tive a oportunidade de dirigir.

Hector Vieira, repórter

Sem dúvida nenhuma, é o melhor carro que já dirigi. Não causei nenhum espanto nesta constatação, uma vez que já é de se esperar que a “perua mais rápida do mundo” conquiste uma alta reputação nas mãos de qualquer amante por carros. Mas mesmo sem combater a obviedade, a afirmação tem seu valor.

 É praticamente impossível não se apoiar em clichês ao descrever o sentimento de alcançar os 150 km/h em trechos de apenas 170 m no aclive de uma rodovia. Ou então ao entrar em curvas acima dos 120 km/h sem medo nenhum de manter a pressão no pedal direito como se estivesse em uma reta.

Até parado o RS 6 transmite a palpitação que só quem é aficionado por carro sente ao ouvir os “estouros” do escapamento ao acionar a partida. Uma das sinfonias mais empolgantes de um legítimo instrumento de sopro, exalando todo o vigor dos 560 cv do motor V8 biturbo.

Estar a bordo e, especialmente, no comando do RS 6 exige bastante cautela. Para um iniciante, como eu, no patamar dos esportivos deste porte, acelerar com ele não é brincadeira. Os 71 mkgf de torque cumprem bem o papel de lembrar que ele não é um brinquedo (apesar de que qualquer um sente o prazer e o deslumbramento de uma criança ao poder dirigi-lo).

Neste ponto, elogiar os bancos anatômicos com funções elétricas, que abraçam o piloto seguramente ao encosto, é irrelevante. É o mínimo que um carro deste tem que oferecer. O acabamento primoroso pela bagatela acima dos R$ 500.000 também não tem valor de notícia, já que, por este preço, é mera obrigação. Mas para provar que nada é perfeito, o manuseio do sistema multimídia poderia ser mais intuitivo.

E apesar do relato mais passional, o RS 6 não deixa de ser uma realidade factível para a privilegiada camada social que detém um poder de escolha na casa das centenas de milhares. Por R$ 557.100, o RS6 se mostra uma opção bastante versátil e competitiva nesta faixa de potência. À parte dos Range Rover (que não têm o mesmo perfil), ele a primeira opção que salta aos olhos para quem prioriza o desempenho. E com ele, além do desempenho, você tem um carro apto à vida urbana e que trata bem as famílias, com seu espaço interno generoso e porta-malas amplo.

Leonardo Barboza, editor de testes

E eu achando que os carros mais rápidos que tinha dirigido eram os AMG, Série M e Porsche. Sabe nada, inocente.  

O RS 6 Avant ao acelerar, foram registrados 3s8 no equipamento de medições, na hora eu não acreditei e refiz o teste de aceleração umas três vezes, novamente foram registrados 3s8, 3s9 e 4s1.

Até hoje o carro mais rápido que já dirigi e o melhor de tudo sem deixar de lado o conforto e o belo espaço de uma station-wagon. 

Márcio Murta, repórter

Algumas coisas na vida são perturbadoras ou desnorteantes no primeiro contato. Escutar um tiro de fuzil 7,62 mm, mastigar uma pimenta malagueta, e também realizar um teste de aceleração em um Audi RS 6. Afinal, uma perua que pesa 1.935 kg, tem capacidade de carga de 630 kg, porta-malas com 565 l, pode transportar 4 ocupantes com muito conforto e luxo, e tem capacidade de arrancar de 0 a 100 km/h em 3s8 é, como diriam alguns, “um tapa na cara da sociedade”.

O RS 6 tem muitos itens para entreter seu consumidor, mas nenhum deles é mais impressionante que o conjunto composto pelo motor 4.0 V8 biturbo de 560 cv e 71,4 mkgf de torque, o câmbio de dupla embreagem, e o sistema de tração quattro. Trata-se de um carro família que acelera em retas como um legítimo esportivo (como base de comparação, a Ferrari anuncia que a 458 italia acelera de 0 a 100 km/h em 3s4, 0s4 a menos que o Audi registrou em nossa pista de testes), além de ter muita capacidade de tração em curvas. E, caso seja dirigida calmamente (algo próximo do impossível), a station wagon ainda realiza 5 km/l em ciclo urbano e 10,8 km/l em rodovias.

O excelente trabalho da suspensão, posição de dirigir agradável, bancos que apoiam bem o corpo em curvas e o volante com ótima empunhadura tornam o Audi completamente instigante na hora de dirigir. Para um esportivo, no entanto, considero o modelo um pouco mais silencioso do que eu gostaria, mas isso é uma observação pessoal: o RS 6 é surpreendente na sua proposta. Inclusive no preço, de R$ 557.000.

Vinicius Montoia, repórter

O RS 6 foi um dos 5 carros mais importantes que pude testar na vida. Além de tudo o que já foi dito e comprovado, com aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 3s8, pude andar com a perua no autódromo de Interlagos em um dia de treino da Sprint Race e outras categorias, com muita chuva e pista bastante emborrachada.

Quando a pista está com o “trilho”, por onde os carros costumam passar, há mais borracha e uma aderência melhor no seco. Quando chove acontece o inverso, onde há mais borracha há menos aderência e por consequência é mais difícil controlar o carro.

Considerando que o RS 6 tem 560 cv, 71,3 mkgf de torque e 1.950 kg, fica difícil de acreditar que ele será fácil de domar numa pista suja, molhada e escorregadia. Mas graças à tração quattro, integral, ele teve um desempenho de arrancar gargalhadas de quem achava que seria fácil perder o controle. Ele disparou pela reta oposta do circuito como se a pista estivesse seca. E no miolo do autódromo, onde seria possível perder o controle do RS 6 Avant, ele teve um desempenho espetacular.

Na curva do Bico de Pato que é acompanhada de uma subida, antes da junção e da reta dos boxes, dá para sentir quão importante é a tração integral no cenário onde a falta de aderência é o fator principal. A tecnologia embarcada, como o controle de tração e os freios com ABS, EBD e pastilhas de cerâmica foram fundamentais para conseguir frear na reta após atingir 200 km/h.

A perua mais rápida do mundo impressiona até pilotos profissionais. Alan Buccioni e Peter Júnior, que testaram o modelo no autódromo de Interlagos em São Paulo, contam suas experiências no vídeo abaixo: 

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