Motoristas e ciclistas precisam fazer sua parte para tornar a convivência cada vez mais harmoniosa

As ruas das grandes cidades brasileiras estão recebendo cada vez mai s bicicletas. O que deveria ser uma solução ambiental e de transporte está, em alguns momentos, promovendo conflitos entre motoristas e ciclistas. No ano passado, somente na capital paulista, 49 condutores de bicicletas perderam a vida em acidentes de trânsito envolvendo veículos motorizados.

Dado o número crescente de acidentes, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) lançou na cidade de São Paulo uma campanha de proteção ao ciclista, com multas que podem chegar a R$ 574,62 e que podem render até sete pontos carteira de habilitação. Iniciada no dia 14 de maio, a “Campanha Pró-ciclista” nada mais é do que a aplicação, na prática, dos artigos já existentes do CTB (Código de Trânsito Brasileiro) pelos 2.400 agentes da CET.

Saiba quais são eles:

› Artigo 169. Multa de R$ 53,20

Para quem dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança. Infração leve, três pontos.

› Artigo 197. Multa de R$ 85,13

Para quem fizer uma conversão sem esperar o ciclista que vai seguir em frente. Infração média, quatro pontos.

› Artigo 220. Multa de R$ 127,69 

Para quem deixar de reduzir a velocidade do veículo ao passar por um ciclista. Infração grave, cinco pontos.

› Artigo 181. Multa de R$ 127,69 

Para quem estacionar em ciclofaixa ou ciclovia. Infração grave, cinco pontos.

› Artigo 193. Multa de R$ 574,62 

Para quem transitar em ciclofaixa ou ciclovia. Infração grave, sete pontos.

 

À noite, é muito importante que o ciclista ande sempre sinalizado

Thiago Benicchio, diretor geral da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), conta que os artigos do CTB existem desde a criação do novo código, de 1997, mas, por não estarem na lista de prioridades de multas da CET, não eram fiscalizados pelos agentes de trânsito.“É importante que esses artigos sejam aplicados, mas eles são genéricos. Os artigos que, efetivamente, dizem respeito à bicicleta, como o 201, que obriga o motorista a respeitar a distância de 1,5 m do ciclista, não estão sendo fiscalizados”, diz Benicchio.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) disse em nota que a segurança no trânsito é dever de todos que nele atuam, seja qual for o veículo que conduzem. “Cabe ao condutor do veículo maior estar atento à movimentação dos demais, sejam carros, motocicletas, bicicletas e principalmente pedestres”.

A nota da Anfavea também diz que o ciclista tem os mesmos deveres e direitos que os demais atores do trânsito, cabendo ao condutor da bicicleta ser respeitado e respeitar.

Alfredo Waldir, proprietário de uma autopeças e motorista há 34 anos, achou essa medida positiva e considerou que também deve haver uma lei para o ciclista. “Seria interessante, até para eles saberem o que devem e não devem fazer”. Benicchio considera que o ciclista sempre esteve marginalizado dos processos de educação institucionais e, por isso, deve-se educá-lo antes de puni-lo. “O ciclistas não passam por autoescola e não têm documentos que o legitimam como tal. O motorista tem por cultura educação formal e informal sobre as leis. A fiscalização cobrada para os automóveis não deve ser igual à bicicleta”, comentou Benicchio.

Segundo pesquisa, triplicar as bicicletas nas ruas reduz pela metade o número de colisões

José Maria Caminha, proprietário de uma loja de bicicletas, é motorista e pedala há 30 anos. Ele vê a campanha como positiva. “Primeiro deve doer no bolso para depois gerar conscientização.” “Sou contra esse processo de vitimização do ciclista e de demonizaçãodos motoristas. É preciso que as duas partes sejam educadas. Se os ciclistas querem ser vistos como condutores, devem respeitar as leis e se portar como tal”, declarou José Maria.

Segurança em números 

Não é apenas nas ciclovias urbanas que hoje se vê circular um número significativo de bikes. Ciclistas, muitos deles trabalhadores que trocaram o ônibus ou carro pela bicicleta como meio de chegar ao escritório, transitam diariamente por entre carros, motos e ônibus. Só para que se tenha uma ideia, o número de viagens feitas por bike na capital paulista cresceu 183% entre 1997 e 2007, segundo pesquisa feita pelo Metrô de São Paulo.

A “explosão” numérica de magrelas nas vias urbanas dos grandes centros, ao contrário do que muitos possam pensar, não é acompanhada pelo crescimento de acidentes. É o que se convencionou chamar de fenômeno da segurança em números. A ideia foi proposta por Peter Jacobsen, engenheiro da Califórnia (EUA), a partir de um estudo no qual ele constatou que o aumento do número de ciclistas nas ruas é seguido pela reduçãodo número de acidentes. 

Segundo a pesquisa, nomeada PJ’s Law 2 (Lei de PJ 2), triplicar as bicicletas nas ruas reduz pela metade o número de colisões. “Mais ciclistas nas ruas, principalmente se eles andarem em grupo, fazem com que os motoristas se acostumem com a presença da bicicleta e, consequentemente, tenham mais cuidado e consciência”, diz Renata Winkler, cicloativista e integrante do Instituto CicloBR.

Nataly Gonçalves, cicloativista e conselheira fiscal do Instituto CicloBR, pensa que se existe atrito entre motoristas e ciclistas é porque falta educação ou sobra egoísmo a um dos lados. “Devemos educar para transformar, seja no trânsito ou no respeito mútuo”. “Temos que investir em conscientizar as pessoas, pois dessa forma o motorista saberá que deve dar preferência, e o ciclista, respeitar as leis”, finaliza Nataly.

A SPORT LIFE, revista da Motorpress Brasil, empresa da qual o Carro Online faz parte, preparou uma lista de dicas preparou para ciclistas e motoristas que pode ajudar a melhorar o convívio nas ruas e evitar conflitos desnecessários, acidentes e multas. 

Para o motorista

1. Reconheça que a bike é mais vulnerável 

Um carro pesa mais de 1 tonelada,enquanto uma bike não passa dos 20 kg. Em uma colisão ou outro tipo de interação física, a bike sempre vai perder.

2. Ultrapassagens 

Ao ultrapassar o ciclista, evite buzinar, reduza a velocidade e só o faça quando houver um espaço seguro (1,5 m). Não tire “finas”.

3. Compartilhe a pista

Não buzine ou acelere para que o ciclista saia da faixa da direita. Ela é reservada aos veículos lentos. As bicicletas se valem do mesmo direito.

4. Conversões 

Use sempre a seta e olhe atentamente nos espelhos retrovisores. Espere sempre o ciclista que segue na frente do automóvel sinalizando a sua intenção. 

5. Evite fechadas 

Fique sempre atento ao espelho retrovisor e jamais faça conversões com o ciclista posicionado na lateral do veículo. Caso seja necessário, espere.

6. Mantenha distância

A surpresa de um ciclista com um veículo próximo ou o simples deslocamento de ar podem desequilibrá-lo e causar um acidente grave.

7. Respeite a ciclovia e a ciclofaixa 

Não transite ou estacione o veículo nesses locais.

8. Cuidado ao abrir a porta 

Olhe no retrovisor e certifique-se de que não há uma bicicleta ou motocicleta. Oriente os passageiros a fazerem o mesmo.

9. Humanize a sua atitude com relação à bike 

Muitos motoristas tendem a encarar a bike da mesma forma como encaram as motos: com impaciência. A bike não anda sozinha. Ela é dirigida por alguém. E se ele fosse um amigo seu, o seu vizinho ou um conhecido? Humanizar o ciclista faz com que os enxerguemos não como meros “objetos” e pode fazer com que a paciência aumente.

10. Considere o ciclista um amigo do trânsito 

Uma bike a mais na rua é um carro a menos no trânsito. Com os grandes congestionamentos vistos hojes nos grandes centros, quem não gostaria de ter uma maior fluidez no trânsito?

Dicas para o ciclista 

1. Seja seguro  

Trafegue pelas ruas apenas quando tiver segurança para pedalar nas cidades e dominar a bicicleta. Treine antes em um parque ou local seguro.

2. Respeite as leis 

Todas as regras valem para os ciclistas. Jamais trafegue na contramão, respeite os semáforos, faixas de pedestres e todas as demais leis de trânsito.

3. Evite o “corredor”

Na ausência de ciclofaixas e ciclovias, trafegue na faixa da direita. Andar no corredor é sujeitar-se a riscos ainda maiores.

4. Sinalize 

Antes de efetuar uma conversão,ultrapassar veículos ou desviar de obstáculos sinalize gesticulando com um dos braços a sua intenção. Treine antes.

5. Use proteção 

Apesar de não obrigatórios, o capacete, as luvas e os óculos são proteções fundamentais. Eles também transmitem a imagem de ciclista consciente.

6. Não use fones

A música em aparelhos e a comunicação em telefones comprovadamente tiram a atenção. No caso de ligações para celulares, pare e atenda.

7. Cuidado com as portas 

Antecipe esta ação. Sempre que possível, fique longe das laterais dos carros estacionados e dê atenção em dobro a portas entreabertas.
 
Bikes e carros

Evite o confronto – Errou, peça gentilmente desculpas. Em caso de erro, acidente ou desrespeito à lei por parte do motorista, não faça justiça com as próprias mãos. Se o diálogo for inevitável, mantenha sempre a calma, seja prestativo, educado e gentil. Em caso de agressão, omissão de socorro e ameaças, anote a placa e acione uma viatura.

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