SUV tem a missão de pavimentar um novo caminho na história da fabricante chinesa após união com a montadora nacional

A Chery uniu-se à Caoa para formar uma joint venture e escrever uma nova história no Brasil. A intenção é clara: descolar a imagem de fabricante de origem chinesa e agregar a confiabilidade da empresa brasileira, que também produz em Anápolis (GO) modelos da sul-coreana Hyundai (sob licença da matriz). A parceria com a criação da Caoa Chery prevê investimento de US$ 2 bilhões ao longo dos próximos 5 anos para desenvolvimento e fabricação de novos produtos, com foco no segmento de SUVs.

O primeiro modelo dessa nova fase é o Tiggo 2, produzido em Jacareí (SP) na plataforma atualizada do hatch Celer. Há novos componentes e ajustes na suspensão, direção e arquitetura eletrônica, além de mudanças estruturais. As dimensões externas são consideravelmente maiores em relação ao hatch – o novo modelo é mais comprido (4,20 m x 4,18 m), alto (1,57 x 1,48) e largo (1,76 x 1,68), além de ter distância entre-eixos 3 cm maior.

O motor 1.5 flex do Celer foi atualizado e ganhou comando de válvulas variável. Com isso, a potência saltou de 113 cv para 115 cv a 6.000 rpm, com etanol. O torque, entretanto, diminuiu – passou de 15,5 kgfm para 14,9 kgfm, também com o combustível de origem vegetal. A diferença é que agora ele aparece mais cedo, a 2.700 rpm, ante 4.000 rpm no Celer.

Nosso contato com o Tiggo 2 aconteceu na pista do Haras Tuiuti, no interior de São Paulo. O motor é tímido em baixas rotações – é preciso elevá-las bastante para obter respostas mais convincentes. O entrave é o câmbio manual de cinco marchas, que, apesar dos razoáveis engates, peca pelas relações muito espaçadas. Com isso, a rotação cai demais entre uma mudança e outra, tirando o fôlego nas retomadas.

Como o contato ficou restrito à pista, não pudemos sentir o comportamento do carro nos pisos irregulares das grandes cidades. Mas a atuação da suspensão agrada nas curvas, mesmo com a elevada altura em relação ao solo (186 mm). Caso o motorista passe do ponto, os controles de tração e estabilidade (de série nesta versão de topo) auxiliam na correção da trajetória. Os freios têm boa modulação do pedal e trazem discos nas quatro rodas.

A cabine possui acabamento correto, com bons encaixes das peças, e representa um salto em relação à gama atual da Chery. Um aspecto sensorial que chama a atenção é que o forte odor característico dos chineses foi bem atenuado.

O quadro de instrumentos traz velocímetro e conta-giros com ponteiros que sobem em direções opostas, em arranjo muito semelhante ao da atual Chevrolet Montana. O que incomoda, porém, é o tamanho diminuto da tela monocromática do computador de bordo, que traz informações como velocímetro digital, pressão dos pneus e consumo médio – este último no padrão europeu, de litros/100 km.

O Tiggo 2 chega às lojas em abril, em duas versões, com preços entre R$ 59.990 e R$ 66.490, somente com câmbio manual – o automático deverá chegar nos próximos meses. Desde a mais simples, chamada de Look, a lista de equipamentos é recheada: retrovisores elétricos, ajuste elétrico de altura do facho dos faróis, banco traseiro bipartido, engates Isofix, luzes dirunas em LED, rodas de 16 polegadas, sensores de estacionamento e luzes traseiras de neblina.

A versão ACT avaliada acrescenta volante multifuncional em couro, controle de velocidade de cruzeiro, central multimídia com tela de 8 polegadas, assistente de saída em rampas, teto solar elétrico e ar-condicionado automático (sem visor digital).

O Tiggo 2 apresenta um conjunto interessante para brigar com SUVs de entrada (como Renault Duster) e os hatches aventureiros de topo (como Hyundai HB20X). No entanto, o alvo parece ser o JAC T40, que apresenta porte e proposta muito semelhantes, mas comete o mesmo erro de ainda não oferecer câmbio automático, item muito desejado nesta faixa de preço.

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