Nova geração do sedã esportivo anda sozinho de ré e conversa com o motorista,
mas se mantém aferrado às tradições esportivas da marca

Texto: Fernando Lalli

Ter uma dinâmica exemplar já não é mais o suficiente. Tampouco importa carregar o peso da história do sedã que redefiniu padrões de esportividade para o seu segmento. Mesmo para modelos consagrados como o BMW Série 3, nada disso basta se não vencer a batalha dos recursos embarcados de auxílios à direção, conforto, conectividade e entretenimento. Por isso, a nova geração do sedã, identificada pela sigla G20, chega ao Brasil falando português – e com sotaque brasileiro. Através do assistente pessoal com inteligência artificial (“IPA”), o Série 3 reage ao comando de voz “olá, BMW” e pode responder perguntas sobre as condições do veículo, mudar parâmetros de climatização e iluminação interna e até pesquisar as notícias do dia na internet.

Essa é a ponta do iceberg da tecnologia inserida no BMW 330i M Sport, versão que aporta nas concessionárias por R$ 269.990 a partir do dia 28 de março. O preço pode parecer salgado, mas é “apenas” R$ 10 mil mais caro que as versão equivalente da linha F30 anterior (328i M Sport) e com nível de equipamentos e mecânica superiores. A começar pelos faróis dianteiros a laser, sistema de som Harman Kardon com 16 alto-falantes e 464 watts de potência, acabamento interno em couro, painel de instrumentos totalmente digital e head-up display.

O sistema de direção semiautônoma engloba recursos como assistente de permanência em faixa com aviso de colisão lateral, controle de velocidade de cruzeiro adaptativo, aviso de tráfego cruzado dianteiro e traseiro e assistente para manobra de evasão (corrige o curso em caso de desvio brusco de direção para evitar uma colisão, por exemplo). Destaque para o “Reverse Assistant”, que grava os últimos 50 metros percorridos à frente e manobra o carro sozinho em marcha-à-ré nesse trecho: basta engatar a ré, ativar a função na tela multimídia e controlar o freio enquanto o carro faz o restante sozinho – mas evite ultrapassar os 10 km/h, senão os sensores podem identificar risco de colisão nos obstáculos ao redor e brecar o carro por segurança.

Maior e melhor
Os fãs puristas não tem com o que se preocupar: a tração continua traseira e o motor, longitudinal. Os mais ferrenhos vão notar que os “330” de antigamente traziam motores seis-cilindros de 3 litros em vez do 2.0 turbo 4-cilindros que equipa esta versão. Trata-se do mesmo motor B48 do 328i M Sport anterior, mas em versão mais forte: 258 cv de potência (13 cv a mais), torque de 40,7 kgfm (5,1 kgfm a mais) entre 1.550 e 4.400 rpm. O câmbio segue automático de 8 marchas, fabricado pela ZF como nos outros trens de força longitudinais da marca alemã.

O primeiro contato da Revista CARRO com o novo Série 3 foi no test-drive promovido pela BMW à imprensa no Autódromo Velo Cittá em Mogi-Guaçu (SP). Durante as seis voltas no circuito, a reportagem acionou o recurso de voz várias vezes para saber as condições do carro (pressão dos pneus e condições dos freios após algumas voltas, nível de óleo etc), e o carro respondeu prontamente, mesmo que de forma genérica: “a pressão dos pneus está OK”, “o nível de óleo está OK”. O recurso funciona e entende português brasileiro muito bem. Não substitui um computador de bordo nem os mostradores detalhados do multimídia, mas é um recurso muito interessante e prático de acessibilidade.

No modo “Sport”, o sedã se mostrou afiado nas curvas como pouquíssimos modelos de seu tamanho. E olha que o Série 3 G20 tem tamanho dos Série 5 E39 de 20 anos atrás: ganhou 76 mm no comprimento (4,71 metros), 16 mm na largura (1,83 m), 6 mm na altura (1,44 m) e 41 mm no entre-eixos (2,85 m). Para compensar a possível perda de desempenho pelo aumento da carroceria e do entre-eixos, as bitolas foram aumentadas (41 mm na dianteira e 21 mm na traseira). Graças ao uso de alumínio no capô, longarinas e para-lama dianteiro, é 60 kg mais leve se comparado ao 328i M Sport da geração F30, o que contribuiu bastante para manter e melhorar sua dinâmica. A divisão de peso nas rodas 50:50 foi mantida e o coeficiente aerodinâmico declarado é de impressionantes 0,23.

Falha persa: a sensibilidade do acelerador no modo “Comfort”, mais anestesiado do que se espera para um modelo esportivo como esse mesmo em configuração de uso urbano. Entretanto, é algo facilmente contornável pela configuração do modo de condução individual. Outro “porém” desta versão, na verdade, atende a uma particularidade local: apesar dos pneus serem run-flat, a BMW afirma que os clientes brasileiros exigem o estepe. Isso reduziu o porta-malas dos originais 480 litros para meros 365 litros.

O primeiro lote do 330i M Sport vem da Alemanha. A produção nacional começa em julho, juntamente com a versão a 330i Sport (R$ 219.950), que mantém motor e câmbio, mas perde o pacote “M” e o assistente pessoal, tem faróis em LED, direção semiautônoma sem o Reverse Assistant, sistema de som mais modesto, painel de instrumentos semelhante ao do crossover X2 e acabamento interno em material sintético.

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