A bem dimensionada grade e os faróis com tecnologia laser são os destaques na dianteira do carro-conceito

Hospedar-se em Beverly Hills, na Califórnia, não é para qualquer um. Ou se é rico e famoso, ou alguém importante. No caso do motorista daquele Audi estacionado no Hotel SLS, próximo à Sunset Boulevard, aplica-se a segunda definição. Trata-se do designer-chefe da Audi, Marc Lichte, que vai nos acompanhar durante a nossa avaliação com o Prologue, novíssimo carro-conceito da marca, apresentado no Salão de Los Angeles.

Sem mais delongas, vamos ao carro. Hora de se acomodar e se preparar para uma rápida viagem ao futuro. Que, aliás, começa ao se admirar a cabine: o Prologue apresenta um conjunto de três telas sensíveis ao toque integradas. Na localizada à esquerda do condutor, estão os comandos de iluminação e dos programas de assistência, e à direita, os controles de mídia. Na tela à frente do passageiro, é possível comandar o sistema de entretenimento. Além disso, o carona pode, com um movimento de mão, enviar rotas selecionadas no navegador para a tela do motorista.

Com 5,10 m de comprimento, o Prologue não é tão grande para os padrões americanos, mas se destacou nas ruas. O interior tem visual limpo

Na parte inferior central do painel, outro monitor aciona o sistema de climatização, entre outros, e  serve para inserir dados manuscritos. Como é flexível, oferece ergonomia perfeita para qualquer motorista. O show continua: o “mordomo” (um software desenvolvido pela empresa) reconhece o motorista por meio do smartphone e ajusta automaticamente a posição de dirigir, assim como a temperatura desejada, além de sugerir músicas e a melhor rota, de acordo com as preferências do proprietário.

A principal atração do Prologue, porém, é o chamado Cockpit Virtual. Por meio de um monitor de alta definição e um conjunto de espelhos, o equipamento monta um quadro de instrumentos com três níveis, que se alternam de acordo com o estilo de dirigir e as informações necessárias. No modo esportivo, por exemplo, rotação do motor, pressão do turbo e velocidade ficam em primeiro plano.

Seria de se esperar, então, que os demais comandos do Prologue também fossem futuristas, como algum novo tipo de acionamento do motor e do câmbio, por exemplo. O conceito, porém, apresenta partida por botão e uma alavanca convencional e isso pode ser considerado uma boa notícia, porque, ao se pressionar o botão de ignição, o glorioso V8 biturbo entra em ação. Trata-se de um motor experimental desenvolvido a partir do 4.0 TFSI que equipa os RS6 e RS7, mas com 605 cv e 76,5 mkgf, em vez de 560 cv e 71,4 mkgf atuais. O câmbio é automático Tiptronic de 8 marchas e a tração, como era de se esperar, é integral quattro.

O bocal do tanque de combustível fica oculto na coluna traseira, junto à janela

Mas, mesmo com tantos recursos, é de se admirar o tempo que o enorme sedã de 2 portas (que pesa 1.980 kg) leva para acelerar de 0 a 100 km/h: apenas 3s7, de acordo com a fabricante! Mas não se deve nem tentar fazer algo do tipo em Beverly Hills, já que os policiais não costumam ser muito simpáticos por lá. É melhor desfilar com o modelo pelas ruas e boulevards chiques de Los Angeles. Só é preciso tomar cuidado ao estacionar, já que, com seus 5,10 m de comprimento e 1,95 m de largura, o Prologue não é um carro fácil de manobrar.

Terra de gigantes
Apesar do seu porte generoso, é preciso lembrar que estamos na terra dos carrões luxuosos (modelos premium são tão comuns por aqui quanto VW Golf e Opel Astra na Alemanha), além de picapes e SUVs. Pensando bem, até que o Prologue não é tão grande assim.

Vamos aproveitar e falar sobre o exterior do modelo. A grade, sem dúvida, possui grandes dimensões, mas é difícil imaginar que ela seja usada com essas proporções no modelo definitivo. O estilo, porém, poderá ser muito próximo ao exibido pelo Prologue, com entradas de ar inferiores redesenhadas e, principalmente, com os novos faróis com tecnologia laser.

Trafegar em meio a tantos carros luxuosos e picapes gigantescas não é exatamente a melhor situação para se avaliar um carro. Mas a quantidade de pessoas que sacam seus smartphones para fotografar ou filmar o carro dá a noção do sucesso que o Prologue faz.

“Ei, cara, que carro legal você tem!”, exclamou um motociclista a bordo de uma moto customizada que parou ao nosso lado, em um semáforo da Sunset Boulevard, enquanto admirava o modelo.

Pelo visto, Marc Lichte e seus desenhistas rea­lizaram um bom trabalho no Prologue, que, como o nome indica, antecipa a chegada de um novo modelo, o renovado A8, cujo lançamento só deverá ocorrer em 2016. Um pouco antes, é provável que A6 e A7 já exibam alguns detalhes do Prologue em suas novas gerações.

Promover uma pré-estreia em Los Angeles, a terra do cinema, não é garantia de que um modelo vá se transformar em estrela, mas, se depender da primeira impressão deixada pelo seu carro-conceito Prologue, a Audi já pode se preparar para receber o seu Oscar.

Para ser a nova referência  
Ao contrário de outras fabricantes, que fazem muito jogo de cena, a Audi não faz muito esforço para negar que o Prologue antecipa o desenho de como deverá ser o futuro A8, modelo mais requintado e topo de linha da marca dos anéis. De acordo com algumas fontes na Alemanha, o projeto do novo sedã está pronto e só falta o carro passar pelos testes de validação, antes de estrear — o que deverá ocorrer em 2016. Segundo a programação da empresa de Ingolstadt, antes, deverão ser lançados os novos A6 e A7, que também poderão trazer alguns elementos estéticos do conceito Prologue.

Conclusão: Revista Auto Motor und Sport

Conclusão

Se o estilo exibido no Prologue é, de fato, a sinalização do caminho que a Audi seguirá no visual de seus próximos modelos, é uma decisão a ser comemorada. Mesmo com um desenho imponente, o novo padrão não apresenta nenhuma ruptura marcante com o anterior. O modelo consegue ser identificado como um Audi logo ao primeiro olhar, apesar de ser muito mais moderno e transparecer isso. Mérito de Marc Lichte. 

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