Acima, um Avant com a suspensão pneumática que seria usada no futuro DS

É consenso entre os aficionados por automóveis que os veículos com tração dianteira são mais eficientes e, principalmente, seguros. Mas, se hoje a maioria dos modelos possui essa configuração, isso se deve a três homens: os franceses André Citroën e André Lefèbvre e ao italiano Flaminio Bertoni.

A primeira exibição do Citroën 7A ocorreu em Amsterdã,  na Holanda

O primeiro foi o fundador da marca que leva o seu sobrenome até hoje, e, já no início dos anos 1930, acreditava que os automóveis deveriam possuir tração nas rodas dianteiras. Faltava, porém, alguém capaz de transformar a sua crença em realidade. Isso ocorreria em 1933, quando Citroën contratou Lefebvre, um engenheiro de 37 anos que compartilhava o pensamento sobre automóveis de seu patrão. “O equilíbrio de um corpo em movimento depende da distribuição de peso — que deve ser maior na frente e menor na traseira —, costumava dizer o engenheiro. O desenho do projeto ficou a cargo de Bertoni, um escultor italiano que havia se juntado a Citroën em 1932 e que, segundo suas próprias palavras, usou todo o seu talento artístico para encontrar o equilíbrio perfeito entre a beleza e a aerodinâmica.

11 familiale - A longa carroceria permitia ao modelo abrigar até nove ocupantes

Desenvolvido em um prazo recorde de 12 meses, o resultado do trabalho foi o modelo 7A, que debutou em março de 1934, equipado com um motor de 1.303 cm³, 32 cv e que podia alcançar uma velocidade máxima estimada de 95 km/h. O primeiro carro foi entregue em maio daquele ano.

O 7C ou 11 légère - Lançado em 1935, trazia faróis com lentes abauladas e o duplo chevron na grade

“Tração dianteira é uma solução que rima com revolução!” Esse era o mote da campanha publicitária do modelo, que além das rodas dianteiras motrizes, trazia outras diversas novidades, como suspensão independente na frente e por eixo de torção atrás com amortecedores hidráulicos, freios com acionamento hidráulico, direção do tipo pinhão e cremalheira, câmbio sincronizado, entre outras.

Por conta do seu porte e do espaço interno, o 11 Familiale fez sucesso como “carro de praça”

Mais potência, um mês depois

Mesmo sendo bem recebido pelo público, o Citroën 7A foi substituído pelo 7B em junho de 1934, ou seja, um mês após o primeiro carro ter sido entregue. Agora com um motor de 1.529 cm³ e 35 cv, o modelo podia, enfim, atingir a marca de 100 km/h. Disponível nas configurações com 2 ou 4 portas e cabriolet, o carro ganhou, no mesmo mês, a versão esportiva 7S, capaz de atingir até 110 km/h de velocidade máxima.

Sobre a base  de um 15 Six,  Marius Franay criou a versão presidencial

Ainda em 1934, mas em setembro, o 7B deu lugar ao 7C, que trazia um motor ainda mais potente, com 36 cv. Os Citroën modelo 7 foram produzidos entre 1934 e 1941 e somaram 88.066 unidades produzidas. Nada mal, mas o projeto revolucionário estava longe do seu fim.

O modelo  15 Six H  inovou com a suspensão traseira hidropneumática, que dispensava  o uso de molas

Em outubro de 1934, o 7S ganhou uma nova denominação e passou a ser chamado de 11AL, com sua estreia ocorrendo no Salão de Paris daquele ano. Já conhecido com Traction Avant (tração à frente, em francês), o modelo era oferecido nas versões sedã, cupê e cabriolet, além de outras duas, com seis janelas: a Limousine, com 5 ou 6 lugares, e a Familiale, com 7 ou 9 bancos. Em 1935, André Citroën faleceu. O fundador da empresa não veria a trajetória de sucesso de seus revolucionários veículos.

O anúncio de 1952 exibia a vantagem da nova tampa traseira: mais espaço para bagagem

Novos números, mais potência

Em 1938, por conta de um novo motor de 6 cilindros em linha, surgiu o 15 Six, que contava com 77 cv à disposição, que o podia levar a 135 km/h. Para compensar o desempenho, foi providenciado um tanque de combustível com 70 litros de capacidade. Mas, se rodava mais e melhor em linha reta, o 15 Six — que ganhou o apelido de “Rei das Estradas” — não se saia tão bem nas curvas quanto os seus antecessores exatamente em função do maior peso.

Um belo 15 Six com teto aberto, criado pela encarroçadora AEAT, em 1949

Por conta da Segunda Guerra Mundial, a produção do Traction Avant foi interrompida em 1942, sendo retomada apenas em 1946, com as versões 11BL e 15 Six. Devido à situação econômica da época, os automóveis só estavam disponíveis na cor preta. Quem desejasse, poderia comprar um carro sem pintura e providenciar a cor que desejasse por conta própria.

O cartaz de 1934 anunciava a chegada de um modelo com motor V8 que acabou não se tornando realidade

Em 1957, depois de 23 anos, quatro meses e 15 dias de produção, o último Traction Avant, um modelo 11 Familiale deixou a linha de produção da fábrica com muitas homenagens, mas sem tristeza, já que daria lugar a um sucessor que continuaria a trilhar o caminho da evolução e das inovações idealizadas pelo fundador da empresa, André Citroën: o mítico DS.

Um 11 Familiale foi o último modelo a deixar a fábrica, em 1957

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