Ver animais fazendo malabarismos debaixo de uma grande tenda de lona ficou defasado e politicamente incorreto. Para sobreviver, os circos trocaram leões e girafas por trapezistas franco-canadenses que fazem peripécias improváveis para uma plateia abastada e disposta a pagar algumas centenas de reais por um ingresso.

Com os conversíveis não foi muito diferente e boa parte deles se reinventou, adotando eficientes e complexas capotas rígidas e visual idêntico aos cupês. Felizmente a Audi optou por ser tradicional com o novo TT Roadster, que manteve a lona cobrindo a diversão propiciada por muitos animais — no caso, 230 cavalos.

Audi TT Roadster

O esportivo chega ao país neste mês partindo de R$ 248.190 na versão única Ambition. O valor inclui pacote idêntico ao TT cupê equivalente, com motor 2.0 turbo com injeção direta e indireta, câmbio robotizado de dupla embreagem e seis marchas e tração dianteira.

O TT Roadster se diferencia pela ausência dos bancos traseiros, onde fica a capota. A solução reduziu a perda de espaço no porta-malas, cujo volume é só 25 litros menor. Como não há pipoca grátis, os reforços estruturais aumentaram o peso do conversível em 90 kg. 

Não que isso seja perceptível. Na aceleração de 0 a 100 km/h o TT conversível é só 0s2 “menos rápido” que sua variante de teto rígido. E ele ainda tem a vantagem de permitir ao condutor ouvir melhor os clássicos estampidos do escapamento duplo a cada mudança de marcha.

Teto de lona dá mais agilidade ao TT

Mercedes e BMW têm seus motivos para ter aposentado a capota de lona no SLK e no Z4. Ainda que seja mais simples, seu isolamento acústico é significativamente maior. Quando o TT emparelha com algum veículo mais ruidoso no trânsito, a sensação é que algum vidro ou porta está mal-fechado, tamanha a invasão de ruído externo, especialmente junto às colunas traseiras.

Uma solução é abrir mão de privacidade e conforto sonoro ao dobrar eletricamente o teto. O processo automático exige parcos 10s e pode ser feito a até 50 km/h, algo extremamente útil quando surge uma chuva inesperada no meio de uma viagem.

Um anteparo de tecido pode ser erguido por meio de um botão atrás dos encostos dianteiros, para reduzir a turbulência do ar quando o carro está com o teto abaixado.

Interior conta com painel digital da Audi

O desempenho primoroso do cupê se repete no TT Roadster, sobretudo no modo Dynamic do Audi Drive Select. O câmbio faz ótimo par com o motor, mas a tração integral quattro faz falta sobretudo em arrancadas, nas quais o carro dá as típicas “quicadas” de esportivos com alta potência e tração dianteira. A suspensão firme é razoavelmente confortável na utilização diária, mas as belas (mas dispensáveis) rodas de 19” exigem cuidado com buracos e balizas.

Medições realizadas no campo de provas da TRW, em Limeira (SP)

Ao contrário do TT cupê na mesma versão, o Roadster não tem GPS de série. O ousado navegador embutido no painel digital custa R$ 11.500. Soma-se a isso sistema de som Bang & Olufsen, chave presencial, sensor de estacionamento dianteiro (R$ 10.000), pintura metálica ou perolizada (R$ 1.700) e um TT como o das fotos custará “módicos” R$ 271.390 – e ainda dá para adicionar o kit cosmético S-Line, por mais R$ 8.000.

Ficha técnica do Audi TT Roadster

Como se vê, nem mesmo a tradição da cobertura de lona evitou a gourmetização dos conversíveis compactos. Mas como não há mais modelos desse segmento abaixo dos R$ 100.000 — o 500 Cabrio e o fortwo não são exatamente conversíveis —, o TT Roadster ganha um destaque especial no picadeiro automotivo com um espetáculo moderno e positivamente rápido. 

Veja abaixo o nosso vídeo de teste com a versão cupê do TT:

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