A décima geração do Honda Civic está à venda desde agosto no Brasil, mas somente nesta semana tivemos a oportunidade de conhecer como andam as versões de entrada do sedã, batizadas de Sport. Partindo de R$ 87.900 na opção com câmbio manual e de R$ 94.900 com transmissão CVT, a Honda estima que o Civic Sport corresponda a apenas 24% do volume total de vendas do sedã.

Com exceção da versão topo de linha Touring (que nós já guiamos), equipada com o exclusivo motor 1.5 turbo de 173 cv, todas as outras configurações do Civic são impulsionadas pelo motor 2.0 aspirado, herdado da geração anterior, mas com potência elevada para 155 cv e torque de 19,5 kgfm. Durante o test-drive oferecido pela marca (que compreendeu um trajeto de 200 km entre cidade e estrada), o veredito sobre seu desempenho é claro: o carro não vai te decepcionar.

Honda Civic Sport manual parte de R$ 87.900 (CVT: R$ 94.900)

Embora ainda não tenhamos os números de pista da versão Sport 2.0, é seguro afirmar que o motor entrega um desempenho bastante satisfatório ao consumidor, com fôlego o suficiente para rodar a 120 km/h sem esforço algum. Mas é preciso destacar que grande parte do trunfo deste propulsor reside nas suas transmissões. 

A começar pela automática continuamente variável, a caixa atribui um comportamento bastante esperto ao sedã, reproduzindo inteligência notável para este tipo de transmissão. As ações do motorista sobre o pedal do acelerador são fáceis e rapidamente compreendidas pelo câmbio, que evita se “esgoelar” a altas rotações sem que haja real necessidade para tanto. 

Em rodovias, por exemplo, isso significa que o motor reage brevemente ao kick down no acelerador para realizar uma ultrapassagem, mantendo o giro próximo das 5.000 rpm (o que fatalmente prejudica o isolamento acústico do carro, apesar de a Honda ter realizado um trabalho específico para diminuir o ruído proveniente do motor nesta situação), mas ao menor alívio no pé direito, o propulsor retorna à faixa estável de trabalho, restaurando o conforto de um rodar mais suavizado (abaixo das 3.000 rpm a 120 km/h). 

Versões Sport se diferenciam pela grade frontal preta...

Caso o motorista queria ter mais controle sobre o carro, a versão Sport já dispõe de aletas atrás do volante para trocas simuladas de marcha (sete, ao total). O recurso de fato permite uma atuação mais personalizada do Civic, sem que a central eletrônica do carro intervenha excessivamente na condução (reduzindo ou subindo marchas à revelia da vontade do motorista).

O escalonamento das marchas simuladas também é interessante. A 120 km/h em “quinta”, o Civic mantém o giro próximo das 3.500 rpm, já em “sétima” o giro cai para menos de 2.000 rpm. E o bônus ao utilizá-las é o prazer ao guiar o carro, uma vez que a despeito da sua eficiência, a transmissão CVT pouco empolga quem de fato gosta de dirigir.

PRAZER MESMO, SÓ NO MANUAL
As transmissões manuais estão entrando em extinção em alguns segmentos. O dos sedãs médios é um deles, já que existem modelos que nem oferecem mais este tipo de caixa em suas gamas (vide Nissan Sentra e Chevrolet Cruze). A Honda, por enquanto, ignorou a tendência — e nós agradecemos. Quando equipado com o câmbio manual de seis marchas, o Civic se transforma em um carro verdadeiramente apreciado por entusiastas.

...e pelas rodas escurecidas de 17

O prazer proporcionado pelo câmbio manual é sentido tão logo se parte com o carro. O pedal da embreagem é macio na medida certa entre conforto e precisão e a manopla está posicionada de maneira elevada (graças à disposição do console central devido a economia de espaço pelo freio de estacionamento eletrônico), o que facilita encontrar a posição ideal para dirigir. Além disso, os engates da manopla são curtos, macios e precisos. 

De acordo com a ficha técnica do Civic, a relação das marchas não é tão curta e isso é perceptível ao dirigir, mas isso não significa que falte disposição para saídas de semáforos, arrancadas ou retomadas para ultrapassagens. Ainda que, no papel, os 40% de potência disponíveis às 3.000 rpm pareçam pouco, o motor 2.0 entrega uma elasticidade interessante, que permite manter o vigor do carro em qualquer faixa de rotação, contudo é acima das 4.700 rpm (pico de torque) que ele realmente empolga até atingir a potência máxima a distantes 6.300 rpm.

A 120 km/h, pelo benefício da sexta marcha, que funciona como um overdrive, o modelo consegue se manter pouco abaixo das 3.000 rpm, o que aumenta o conforto ao dirigir.

Para os 3% de clientes que adquirirem um Civic manual (segundo a previsão da Honda) a diversão mesmo com o “brinquedo” será rodar por estradas sinuosas. Reduzir marchas e entrar mais apontado em curvas, abusando um pouco do carro — mas sempre atento à segurança na via, dentro dos limites de velocidade — é algo que, com o câmbio manual, fica ainda mais prazeroso. O motorista pode entrar mais rápido nas curvas e, ainda assim, realizá-la com precisão, devido à vetorização de torque disponível no carro, que contribui para melhorar seu contorno.

Acabamento interno não possui couro nos bancos, nem portas

SEM OPCIONAIS, MAS BEM EQUIPADO
Apesar de a Honda insistir que a gama do Civic não segue o padrão verticalizado de versões, mas sim busca atender perfis diferentes de consumidor, o Civic Sport é, na prática, a versão de entrada do Civic. Apesar de o nome sugerir algo mais de nicho, as únicas diferenças desta versão para o restante são as rodas escurecidas e a grade frontal do logo na cor preta (em vez de cromada, como no restante da gama). O acabamento interno, por exemplo, com exceção dos bancos (que são de tecido nas versões Sport), segue o mesmo padrão das outras versões aspiradas. 

De série, o modelo já vem bem equipado. Conta com seis airbags, controle de estabilidade, vetorização de torque, ar-condicionado digital e automático, direção elétrica, trio elétrico, adaptação isofix nos bancos traseiros, assistente de partida em aclive, função brake hold (que aciona os freios ao parar o veículo no trânsito, sem a necessidade de manter o pedal pressionado), luzes diurnas de LED, faróis de neblina, central multimídia com entrada USB e tela de 5”, câmera de ré. 

Para os consumidores que quiserem, de fato, tornar o Civic Sport mais condizente com seu sobrenome, a Honda disponibiliza apenas uma gama de acessórios (não há opcionais) para personalizar o sedã. Há um Kit Premium (que adiciona elementos cromados ao visual) e um Kit Sport (que acrescenta spoilers e saias) para o cliente encomendar diretamente na concessionária.

A Honda possui uma limitação de produção do Civic (devido ao volume dos outros carros que a marca fabrica no Brasil), por isso não almeja retirar do Toyota Corolla a liderança do segmento. O objetivo é manter um volume de três mil emplacamentos por mês, o que já tornaria a hegemonia do rival menos avassaladora, pelo menos.

Newsletter

Newsletter

Quer ficar por dentro das noticias da Revista Carro em primeira mão?

Receba grátis!

Obrigado!

Pin It on Pinterest

Share This