Dizem que as mães amam os filhos igualmente, não importa quantos nem quão diferentes sejam entre si. Acreditamos nisso, mas só no âmbito humano. Se trocarmos “mãe” por “fabricante” e “filho” por “carro”, é muito fácil perceber quais são os rebentos prediletos de cada uma.

No caso da japonesa Nissan, a parcela maior do amor maternal é dedicada ao GT-R. Até no Brasil, onde ele nem sequer é vendido, o mimo é evidente: a cada Salão do Automóvel de São Paulo, não importa qual seja o grande lançamento comercial da marca na ocasião, o superesportivo vai ocupar o melhor lugar do estande. Merecidamente, é bom observar.

O GT-R, também conhecido como Godzilla (referência ao monstro da ficção científica nipônica), é um representante do estado da arte da construção automotiva voltada ao desempenho. Faz parte de um restrito círculo de carros que precisam comprovar potência de pelo menos 500 cv, acelerar de 0 a 100 km/h abaixo de 4s e cravar máxima acima dos 300 km/h. No mínimo.

Nissan GT-R Track Edition

Pois o supercarro japonês preenche tais requisitos com sobra. Dotado de motor V6 de 3,8 litros com injeção direta de gasolina e dois turbocompressores paralelos, entrega 550 cv (a 6.400 rpm) e torque de 64,4 mkgf (com pico a 3.200 rpm). A velocidade máxima chega a 315 km/h, mas o que mais impressiona é a aceleração quase balística do GT-R: da imobilidade aos 100 km/h em apenas 2s7 — façanha que o faz superar modelos de grife como Ferrari, Lamborghini e Porsche em arrancadas, além de alinhá-lo a supercarros milionários, como o Bugatti Veyron, ou de construção artesanal, como os Hennessey e Saleen. (os dados são da série Track Edition, que estreou em 2014 e oferece apenas dois lugares, em vez da configuração 2+2 de outras versões).

Um dos segredos do Nissan GT-R é o sistema de tração integral capaz de dividir a força entre os eixos em razões que vão de 0:100 (todo torque nas rodas traseiras) a 50:50, dependendo das exigências da condução — aceleração lateral, ângulo de esterço, velocidade etc. Para “devolver” até metade do torque à dianteira do carro, o GT-R possui dois cardãs.
Essa característica é fundamental para manter o superesportivo da Nissan grudado no chão e 100% focado no traçado da pista, além de negociar o peso acima da média: são 1.740 kg, enquanto boa parte dos modelos de pista não passa dos 1.600 kg.

"Monstro", esportivo possui motor V6 biturbo de 550 cv

Recentemente, tivemos a chance de experimentar um Nissan GT-R Track Edition numa pista de testes da fabricante de pneus Bridgestone perto de Roma (Itália), em evento organizado pela Motorpress International. O “Godzilla” não estava só: avaliamos também Chevrolet Corvette Z06, Jaguar F-Type R Coupé, Mercedes AMG GT S e Porsche 911 Turbo.

Antes de colocar o japonês em perspectiva com seus rivais europeus, vale notar que todos os mais de 147.000 euros pedidos por ele no Velho Continente compram desempenho e tecnologia construtiva e de software, mas não luxo e sofisticação. A cabine do GT-R é repleta de elementos interessantes, como a enorme tela multimídia com instrumentos digitais (correspondente aos “reloginhos” que ficavam na coluna dos envenenados de antigamente), mas o ambiente não se destaca pela beleza ou bom gosto específicos. É, digamos assim, “normal”.

Com tração integral, ele alcança os 100 km/h em 2s7

O teste com os supercarros foi numa pista molhada, em que a Bridgestone testa a aderência de pneus, e num circuito travado, com curvas desafiadoras e apenas uma reta. Ficou de fora a pista oval com retas longas e trechos inclinados em que, na véspera, CARRO namorou com os 250 km/h a bordo de sedãs e SUVs “normais” de Audi, BMW e Mercedes.

O fato é que o Nissan GT-R é diferente dos europeus não apenas no estilo, que lembra o de um muscle-car americano. Mais longo, estreito e pesado, o carro mostrou-se sempre “preso ao chão” nas curvas e também na pista molhada, graças, principalmente, à tração integral. A oferta de torque máximo talvez “demore” um pouquinho (note que estamos falando de frações de segundo), mas no geral o desempenho dessa mítica fera é de arrepiar.

Acabamento da cabine é sóbrio e simples

Para os fãs brasileiros, uma certeza: a mamãe Nissan trará o filho querido ao Salão de São Paulo de 2016. E pode ter certeza que vai valer a pena vê-lo de perto novamente. 

FICHA TÉCNICA Nissan GT-R
Motor: Diant., V6, biturbo com intercooler, gasolina, 24V
Cilindrada: 3.799 cm³
Potência: 550 cv a 6.400 rpm
Torque: 64,4 kgfm a 3.200 rpm
Câmbio: Robotizado, dupla embreagem, 6 marchas
Tração: Integral
Suspensão (d/t): Independente/independente, amortecedores eletrônicos
Pneus: 255/40 R20 (d) / 285/35 (t)
Dimensões (C/L/A) 4,67 m/1,89 m/1,37 m
Entre-eixos: 2,78 m
Peso:  1.740 kg
0 a 100 km/h: 2s7
Velocidade máxima: 315 km/h

 

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