A Chevrolet iniciou a pré-venda do novo Camaro pouco após confirmar o lançamento da sexta geração do modelo no Brasil, na série especial Fifty Edition. A edição limitada, ao contrário do que o nome indica, terá 100 unidades vendidas no país (o 50 se refere à idade do nome Camaro) por R$ 297.000 e está prestes a acabar. Até a última quarta-feira (26), a empresa já tinha vendido 45 unidades. Quem perder esse lote ou quiser o conversível terá de esperar até o Carnaval de 2017.

Sexta geração ficou com o perfil mais afilado
“Criamos esse espaço para entregar um produto mais exclusivo aos clientes do Fifty Edition”, explicou à CARRO Marcos Munhoz, vice-presidente da GM do Brasil. Pelo mesmo motivo, o preço do Camaro cupê convencional e do conversível só serão revelados no ano que vem. “O cupê deve ter valor próximo ao do Fifty Edition, enquanto o conversível manterá a diferença de preço do modelo anterior”, detalha Munhoz. Atualmente quem optar pelo Camaro sem teto terá que pagar aproximadamente R$ 20.000 a mais, o que levaria o preço da nova geração conversível para R$ 320.000.

Lanternas integrais se distanciaram do solo
MENOS AMERICANO
O novo Chevrolet Camaro foi revelado em maio de 2015 nos Estados Unidos com uma série de novidades. O modelo agora usa a plataforma Alpha, do Cadillac ATS e CTS, ao invés da base da Holden do modelo anterior. O motor V8 6.2 foi herdado do Corvette Stingray e gera 461 cv (contra 406 cv de seu antecessor). Essa força agora passa por um câmbio automático de oito marchas desenvolvido pela GM, aposentando a caixa de seis relações à frente do antigo Camaro.

Painel redesenhado tem sistema MyLink e volante exclusivo
Apesar da base norte-americana, o novo Camaro usou uma receita europeia. Ao invés de crescer, a sexta geração ficou menor – só no comprimento são 10 cm a menos. Isso, somado à adoção de materiais mais nobres na carroceria, suspensão e trem de força, deixou o esportivo até 83 kg mais leve. O resultado de ter mais potência e menos peso, naturalmente, é desempenho extra. Segundo a GM, o novo Camaro cupê acelera de 0 a 100 km/h em 4s2, com máxima de 290 km/h – 0s6 e 50 km/h a mais que os números de fábrica da quinta geração.

Versão conversível deverá custar R$ 20 mil a mais
HIPERINFLAÇÃO
Boa parte das fabricantes não adota uma série de evoluções em seu carro sem que isso se reflita no preço. Com o novo Camaro a regra não-escrita se manteve: próximo dos R$ 300 mil, o modelo ficou quase 30% mais caro. Naturalmente, isso se justifica pela estreia de novas tecnologias e melhorias no acabamento, mas, em um primeiro contato, fica a sensação que o custo-benefício do novo Camaro não melhorou.

Capota de lona agora fica coberta quando aberta
Isso não ocorre pelo pacote de equipamentos: como a concorrência, o mais caro Chevrolet do Brasil é completo. Há oito airbags (seis no conversível), controle de estabilidade com vetorização de torque, HUD, bancos aquecidos e ventilados, chave presencial, sistema multimídia com espelhamento, carregador de celular por indução e faróis de xenônio com DRL em LEDs. Entre as evoluções bem-vindas está o freio de estacionamento elétrico e o teto de lona completamente automático no Camaro conversível, ao invés do sistema parcialmente manual da geração anterior.

Capota de lona tem acionamento totalmente elétrico
O problema, aqui, continua no acabamento. É verdade que, agora a GM adicionou tecido e materiais emborrachados no painel. Mas boa parte da peça ainda tem superfície de plástico rígido, que chega a ter encaixes desalinhados no parassol sobre o quadro de instrumentos. Por mais que não tenha rivais diretos no Brasil (o mais próximo é o Mercedes-AMG CLA 45, quase R$ 40.000 mais caro), tais detalhes destoam de um carro nesta faixa de preço.

Para-choque da versão V8 é exclusivo
EVOLUÇÃO E REVOLUÇÃO
Por dentro e por fora, as mudanças do novo Camaro são visíveis, mas sem grandes saltos. A boa notícia, porém, é que ele melhorou – e muito – onde mais importa: seu desempenho.

Motor V8 6.2 é similar ao usado no Chevrolet Corvette
CARRO teve a oportunidade de fazer um rápido teste no Camaro cupê e conversível no Autódromo Velo Cittá, em Mogi Guaçu (SP). Na ocasião, a marca disponibilizou também uma unidade de geração anterior para efeitos comparativos.

Versões convencionais do Camaro chegam em 2017
O abismo de diferença começa logo na partida. Mais encorpado, o ronco do V8 empolga ainda mais; Nem precisava ter o reforço eletrônico do som na cabine que a GM criou. Apesar do visual incomum para o esportivo, o volante ficou com uma pegada melhor e a ergonomia geral dos comandos (como o comutador dos faróis) melhorou.

As rodas de liga-leve são de 20 polegadas
Na aceleração a diferença entre ambos não é tão perceptível, já que o Camaro antigo não decepcionava na arrancada. A diferença é na hora de atacar as curvas. Bem mais rápida e direta, a direção com assistência elétrica aproveita toda a agilidade extra que o novo esportivo ganhou. A carroceria menor e mais leve deixou o Camaro bem mais prazeroso de se guiar em curvas sinuosas.

Nova geração passou a adotar freio de estacionamento elétrico
A tendência excessiva de sair de frente (com o ESC) ligado acabou, e os quatro modos de condução (Esportivo, Passeio, Neve e Pista) dão mais versatilidade ao modelo. Os freios acompanham o ritmo: mesmo sob uso intenso, eles não apresentaram perda de eficiência.

O conjunto mais afinado, porém, não permite tantos abusos. Mesmo nos modos mais permissos do ESC, é necessário cuidado em tomadas de curvas e retomadas, sob pena do controle eletrônico cortar o motor – e a brincadeira – repetinamente. Para aproveitar o máximo do novo Camaro, ainda é preciso ter experiência, algo que tende a ser mais raro em um segmento povoado por carros repletos de recursos e truques eletrônicos.

Não foi dessa vez que o Chevrolet conseguiu se equiparar à concorrência europeia. Como custa menos que seus refinados rivais, porém, o novo Camaro se manterá como um produto atraente para quem busca design diferenciado e desempenho próximo ao de um AMG ou Motorsport. 

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