Concorrentes:

Prisma, o automático
Na versão topo de linha LTZ, o Chevrolet não tem opcionais e é oferecido nas lojas por R$ 57.470. Com boa procura, o modelo só está atrás do líder Fiat Siena no ranking de vendas.

Logan, o robotizado
Modelo estreou recentemente o câmbio fornecido pela ZF e custa R$ 51.420. Traz uma boa lista de itens de série, incluindo a central multimídia com navegador.

Até a primeira geração, o Renault Logan contava com uma versão automática que não deixava de ser interessante. Se exagerava no consumo, ao menos fazia do sedã um dos carros mais baratos do país com esse tipo de câmbio.

Agora, porém, a Renault mudou a estratégia e se rendeu aos robotizados, alegando que dessa forma não comprometeria o custo-benefício. Com um novo câmbio fornecido pela ZF, o Logan passa a contar com uma das melhores caixas do tipo. Ela oferece recursos como o creeping, que faz o carro se mover lentamente ao soltar o freio, e a aceleração intermediária nas reduções de marchas para igualar rotação e velocidade na marcha a ser engatada, tudo graças a uma boa interação do sistema com a central eletrônica do motor.

Até aqui tudo muito bom, porém, por mais moderno e formando uma boa dupla com o motor 1.6 8V, o Easy’R não é imune aos soluços quando as trocas são efetuadas no modo Drive.

Se você não abre mão de uma condução linear e livre de incômodos, ainda é melhor optar por um automático com conversor de torque. Mas como eles se saem quando comparados um com o outro? Quais são as vantagens e desvantagens de cada tipo de proposta? Para ajudar a responder essas questões, colocamos o Logan robotizado ao lado do Chevrolet Prisma automático, ambos em suas versões topo de linha.

Nossa análise já começa por um ponto crucial quando se aborda essa diferença de solução para abolir o pedal da embreagem: o preço. O que deveria ser uma vantagem para o Logan, uma vez que a caixa robotizada tende a ser mais barata que a automática, não ocorre neste caso.

No Prisma LTZ, por exemplo, o câmbio automático encarece o modelo em R$ 4.100, enquanto no Logan a transmissão Easy’R aumenta o preço da versão Dynamique em R$ 4.200. Nos dois casos não ocorre nenhum acréscimo de equipamentos em relação às versões manuais.

Claro que aqui precisamos abrir um parênteses. Apesar de cobrar mais pelo câmbio, o Renault Logan chega às lojas custando menos do que o Prisma. Enquanto o Logan avaliado aqui é tabelado em R$ 51.420, a rede Chevrolet pede R$ 57.470 pelo Prisma, uma diferença de elevados R$ 6.050. Em termos de equipamentos os dois são equivalentes, porém vale destacar que a central multimídia do Logan é mais completa, uma vez que já conta com GPS integrado, enquanto no MyLink do Prisma você precisa comprar um aplicativo específico para o equipamento.

É um verdadeiro impasse: ao mesmo tempo em que o Logan poderia ser ainda mais barato, considerando que é difícil justificar um preço tão elevado apenas pelo câmbio Easy’R, na mesma medida é difícil encontrar uma razão para o Prisma ser tão caro. Um Hyundai HB20S automático, apenas como comparação, parte de R$ 50.100.

Como você pode ver nas tabelas técnicas e de notas, tanto o Prisma como o Logan são modelos bem equivalentes. O Renault, com um porta-malas invejável e muito espaço interno, em especial para os passageiros no banco traseiro, mira no cliente racional e melhorou bem na nova geração. Seu interior está bem mais amigável, com uma ergonomia melhor e direito até a requintes como o ar-condicionado automático. O Prisma, por sua vez, investe na proposta “sport sedan” e agrada pelo visual externo equilibrado. Seu terceiro volume é bem discreto, uma tendência dos sedãs mais modernos, e tenta, com isso, cativar um público mais jovial.

Pequenos mimos do Chevrolet, como a partida assistida e a iluminação do console central e do câmbio que se acendem quando as portas são destravadas, tentam criar um ambiente de veículo superior ao sedã compacto. Só não é unanimidade no Prisma a posição de dirigir. O assento é muito elevado, o que acaba por criar uma sensação ruim para os motoristas mais altos: parece  que você vai constantemente raspar a cabeça no teto. Nesse ponto o habitáculo do Logan mostra-se mais arejado, com uma sensação de espaço bem melhor em relação ao rival.

Ou câmbio, ou motor 

Não, não está errado. Se você já olhou as fichas técnicas de Logan e Prisma deve ter notado que os dois oferecem 106 cv de potência, apesar da diferença considerável entre as cilindradas de seus motores. O Chevrolet, no caso, com um 1.4 litro sob e o capô e o Renault apostando no 1.6 l. Ambos contam com cabeçotes 8 válvulas.

Aqui você nota a importância que o câmbio tem no conjunto de um carro. Além de oferecer bem mais conforto, seu câmbio de 6 marchas consegue administrar com competência os 13,9 mkgf de torque que tem à disposição e faz o Prisma andar não só no mesmo ritmo do Logan como em muitas vezes superando o Renault. Note, nos números de desempenho, como a dupla praticamente empata nas acelerações, sendo que nas retomadas a vantagem do Chevrolet foi muito maior. No 60 a 120 km/h, o Prisma chegou a abrir 13s de vantagem para o Logan.

“Com o câmbio no modo Drive, como é o padrão dos testes, notei que o Logan demorava muito para realizar as trocas, comprometendo os números”, apontou o editor de testes da CARRO, Leonardo Barboza, assim que voltou da pista com o modelo. Outro ponto que não agrada no Renault, em especial quando você procura o máximo em desempenho, é que os “soluços” a cada troca se tornam mais intensos, resultando em um efeito nada agradável aos ocupantes.

Um automático consome mais? Está aí algo que o Prisma provou nem sempre ser verdade. Os dois sedãs obtiveram as mesmas médias PECO (55% urbano e 45% rodoviário) com etanol, registrando 9,3 km/l. Nesse quesito, Logan e Prisma se saíram muito bem. Um problema do Chevrolet, entretanto, é que quando abastecido com gasolina seu comportamento muda bem. É possível sentir a drástica redução de desempenho que a perda de 8 cv e quase 1 mkgf ocasionam no modelo, em especial carregado.

No rodar, Logan e Prisma são bem parecidos, com um conjunto de suspensão e direção de atuação suave, voltado para o conforto, como não poderia ser diferente. O Logan Dynamique oferece como diferencial em relação às suas demais versões a barra estabilizadora na dianteira, o que melhora suas respostas dinâmicas. Um ponto negativo no Prisma cedido para teste foi o barulho excessivo proveniente do lado dianteiro direito quando encontrávamos algum buraco ou outra imperfeição grave pelo caminho. O comportamente do sedã, mesmo assim, manteve-se constante durante toda avaliação. 

No mundo ideal, se pudéssemos combinar o câmbio 6 marchas do Prisma com o motor 1.6 do Logan teríamos o melhor produto, inclusive capaz de se sair bem melhor em desempenho. Em nossa análise técnica o Renault venceu o Chevrolet muito mais pela diferença na nota de fading do que por qualquer outro atributo significativo. Ele deveria, ao menos, ter se saído melhor na pista.

Mercado, o item decisivo

Muito próximos em desempenho e comportamento, a análise de custo-benefício e os gastos após a compra mostram-se os itens decisivos na disputa entre Logan e Prisma.

Nesse quesito o Chevrolet perde vários pontos quando colocamos na balança seu preço de tabela. Sem oferecer uma diferença gritante em termos de equipamentos, além, obviamente, de um câmbio mais complexo, o modelo sobe de categoria com o valor beirando os R$ 60.000.

Como explicar, então, que ele tenha se saído melhor que o Renault em nossa avaliação de mercado? Nesse ponto o Prisma foi beneficiado pelo seguro mais barato, os valores de peças bem menores em relação aos do Logan e o preço de revisões obrigatórias similar ao do rival, assim como a desvalorização no primeiro ano.

Com todos os dados em mãos, chegar a um veredito para este comparativo não é uma tarefa fácil. Procurando ser o mais objetivo possível, o mais indicado é somar o resultado total obtido por cada um em nossas duas avaliações (técnica e mercado). Sendo assim, o Renault Logan vence o confronto com uma margem muito pequena, com um total de 242,5 pontos entre todos os atributos, ficando com apenas um ponto à frente do Chevrolet Prisma, que soma 241,5.

Mas não se esqueça de algo importante: se você busca o máximo em conforto, leve o Prisma para casa. Por mais avançado que seja, o câmbio robotizado Easy’R do Logan ainda não se vê livre dos “soluços” nas trocas quando é utilizado no modo automático. Ele pode até servir para quem migra de um automóvel manual, mas se você está habituado com um automático vai estranhar esse comportamento.

O câmbio automático é um item irreversível, o maior fator de sua procura é o adensamento do tráfego urbano. Hoje há quatro tipos: o automático tradicional do Prisma, CVT e o robotizado, este podendo de ser de uma (Logan) ou duas embreagens. A disputa pela preferência do consumidor é grande. Nesse embate direto, o robotizado mostra ser uma alternativa razoával ao automático.ressante aos automáticos.

Análise técnica:

1º Renault Logan Dynamique Easy’R: 184,5 pontos

Como foi dito anteriormente, o Logan conseguiu se destacar na análise técnica graças à maior quantidade de pontos que obteve na prova de fading. Com um motor maior e de mais torque, ele deveria ter se saído melhor que o Prisma nas provas de desempenho, algo que não foi constatado na pista de testes. Lento nas trocas quando no modo automatizado, o câmbio tem uma parcela de culpa nos resultados apenas modestos do Renault. Apesar disso, o Logan herda da primeira geração a cabine espaçosa capaz de acomodar facilmente 5 adultos. Seu porta-malas também é um dos maiores entre os sedãs, o que o torna uma boa opção de carro familiar.

2º Chevrolet Prisma LTZ automático: 179 pontos

A caixa automática é um dos pontos fortes do Prisma. A Chevrolet caprichou na calibração do conjunto motor e câmbio, tanto é que mesmo com um propulsor menor o modelo não ficou para trás nas provas de desempenho. O Prisma só poderia oferecer mais espaço para os passageiros na parte de trás e rever a altura dos bancos dianteiros, que estão posicionados de uma forma muito elevada. Chamou a atenção, negativamente, a perda no desempenho com gasolina.

Outas opiniões

por Wilson Toume I Editor-chefe
O câmbio do Renault me surpreendeu positivamente, e já o considero um dos melhores do mercado, ao lado do Dualogic Plus, da Fiat. Sua principal vantagem em relação ao do Prisma é o menor consumo de combustível, mas ela deveria ser mais barata. Mesmo assim, fico com ele.

por Leonardo barboza I Editor de testes
Mesmo com o Logan sendo mais espaçoso e mais barato, não consegui me adaptar ao seu câmbio robotizado. A caixa automática do Prisma me agradou muito mais nas trocas de marchas, além de ser mais confortável. Meu voto é do Chevrolet.

Análise de mercado

1º Chevrolet Prisma LTZ automático: 62,5 pontos

A favor do Prisma no que diz respeito à análise de mercado figuram os menores custos de seguro e manutenção, além de ficar bem próximo ao Logan em desvalorização e oferecer o mesmo prazo de garantia. Só o preço elevado é o que lhe custa pontos importantes.

2º Renault Logan Easy’R: 58 pontos

O Logan vai bem no preço, com um valor bem inferior ao do Prisma e a vantagem de ser tão bem equipado quanto. O problema foi o custo de peças elevado. O jogo de pastilhas de freio dianteiro foi orçado em R$ 316,20, valor que cai para R$ 157,20 no Chevrolet.

Conclusão: O Renault Logan é o vencedor, mas por pouco 

É inegável que o preço bem menor do Logan e o fato dele oferecer o mesmo que o Prisma em desempenho e equipamentos ajudam a posicioná-lo na frente do Chevrolet, porém a vitória não foi tão fácil assim. Para quem já dirigiu um carro com câmbio robotizado, tenha em mente que o Renault não está livre das hesitações a cada troca de marcha com a alavanca em Drive. Por isso, se você não abre mão de um rodar suave, fique com o Prisma e sua competente caixa automática. É bom destacar que o Chevrolet só não levou essa disputa devido ao preço elevado em relação ao que a Renault cobra pelo Logan. Mesmo podendo alegar que se trata de um câmbio mais avançado, a Chevrolet deveria rever sua política de preços para a linha Prisma/Onix.

Dados de fábrica

Chevrolet Prisma LTZ automático

Velocidade máxima (km/h): 171
Motor disposição/número de válvulas: diant., 4 cil., transv., 8V, flex
Cilindrada (cm³): 1.389
Potência (cv): 98 (G) / 106 (E) a 6.000 rpm
Torque (mkgf): 13 (G) a 4.800 rpm /  13,9 (E) a 4.800 rpm
Câmbio: automático sequencial, 6 marchas
Suspensão (dianteira/traseira): McPherson/eixo de torção
Peso vazio/cap. máx. de carga (kg): 1.108/372
Diâmetro de giro (m) (esq./dir.): 10,4
Porta-malas (litros): 500
Tanque de combustível (litros): 54
Pneus (veículo testado): Bridgestone 185/65 R15
Comprimento/largura/altura/entre-eixos (mm): 4.275/1.705/1.484/2.528
Consumo cidade: 7,4 km/l (etanol)
Consumo estrada: 11,7 km/l (etanol)
Preço: R$ 57.470

Renault Logan Dynamique Easy’R

Velocidade máxima (km/h): 180
Motor disposição/número de válvulas: diant., 4 cil., transv., 8V, flex
Cilindrada (cm³): 1.598
Potência (cv): 98 (G) / 106 (E) a 5.250 rpm
Torque (mkgf): 14,5 (G) a 2.850 rpm / 15,5 (E) a 2.850 rpm
Câmbio: robotizado, 5 marchas
Suspensão (dianteira/traseira): McPherson/eixo de torção
Peso vazio/cap. máx. de carga (kg):2 1.074/446
Diâmetro de giro (m) (esq./dir.): 10,6
Porta-malas (litros): 510
Tanque de combustível (litros): 50
Pneus (veículo testado): Pirelli 185/65 R15
Comprimento/largura/altura/entre-eixos (mm):4.349/1.733/1.529/2.635
Consumo cidade: 7,1 km/l (etanol)
Consumo estrada: 12 km/l (etanol)
Preço: R$ 51.420

Newsletter

Newsletter

Quer ficar por dentro das noticias da Revista Carro em primeira mão?

Receba grátis!

Obrigado!

Pin It on Pinterest

Share This