Com forte apelo visual, BMW X2 e Volvo XC40 são a expressão da filosofia de cada marca entre os crossovers e SUVs compactos

Texto: Gustavo de Sá

Fotos: Saulo Mazzoni

Falar em DNA da marca pode soar como mero truque marqueteiro. Porém, alguns automóveis realmente conseguem traduzir a imagem da essência da empresa. É o caso dos recém-lançados BMW X2 e Volvo XC40, que têm forte apelo visual e carregam consigo os pilares de cada uma de suas “mães”. No caso do primeiro, esportividade. No segundo, segurança. Mas, afinal, qual deles entrega o conjunto mais interessante para quem está disposto a desembolsar até R$ 250 mil em um zero-quilômetro?

O X2 é definido oficialmente pela BMW como um Sport Activity Coupé (SAC) – ou cupê de atividade esportiva, em português. A melhor definição, entretanto, seria crossover, já que ele mescla elementos de hatches médios e SUVs. O para-choque com entradas de ar em formato triangular e a traseira com vidro pequeno e lanternas afiladas fazem parte da receita do visual mais agressivo. Como forma de explicitar a história da marca, o logotipo BWM aparece também nas colunas traseiras (solução adotada nos saudosos 2000 CS e 3.0 CSL no passado).

O Volvo, por sua vez, assume o caráter SUV, com maiores ângulos de ataque e saída e vão livre do solo. Os elementos de estilo vistos nos irmãos XC90 e XC60 caíram muito bem na embalagem mais compacta do SUV de entrada.

A vantagem em porte é do Volvo, com maior comprimento (4.425 mm x 4.360 mm), largura (1.863 x 1.824) e altura (1.652 x 1.543). Na distância entre-eixos, também supera o rival em 30 mm. Apesar das medidas mais generosas do sueco, ambos têm bom espaço para quatro passageiros – o túnel central elevado invade a área dos pés de um eventual quinto ocupante. No porta-malas, nova superioridade do modelo da marca de Gotemburgo (460 litros x 370 litros).

Na cabine, a filosofia de cada fabricante marca presença, com traços mais arredondados no BMW e retilíneos no Volvo. O acabamento do modelo de origem alemã está um nível acima do sueco, com uso massivo de couro e materiais suaves ao toque. No Volvo, decepciona o revestimento utilizado nas portas e em parte do console, com um tecido de aparência simples para um carro desta faixa de preço.

O XC40 dá o troco com um ambiente mais tecnológico, reforçado pelo quadro de instrumentos 100% digital, alavanca do câmbio minimalista e menor quantidade de botões físicos na cabine. No BMW, a iluminação em tom laranja dos botões de comando do ar-condicionado, som e alavanca do câmbio não combina com a proposta jovial do carro.

 

 

Volvo XC40 R-Design

Ambos têm central multimídia com tela tátil – de 8,8 polegadas no X2 e 9 pol., no XC40. Porém, a do BMW sai na frente no quesito facilidade de uso, com menus descomplicados e mais intuitivos. Além disso, o motorista pode controlá-la por meio de um botão físico giratório ao lado do câmbio. Por meio dele é possível até mesmo desenhar letras para inserir endereços no navegador. A do Volvo reúne funções em excesso – ajustar temperatura, intensidade e posição do ar-condicionado requer maior tempo (e distração) por parte do condutor.

BMW X2 sDrive20i M Sport X

Alinhamos aqui as versões de topo dos dois modelos, a sDrive20i M Sport X (R$ 246.950), do BMW, e R-Design (R$ 214.950), do Volvo. Ambas trazem recheio esperado para a faixa de preço, como faróis full LED, teto solar elétrico, múltiplos airbags, controles de estabilidade e tração, bancos dianteiros com ajustes elétricos e ar-condicionado digital de duas zonas, entre outros.

O BMW traz apenas o sistema de projeção de informações no para-brisa (head-up display) e sistema de estacionamento automático como equipamentos exclusivos, o que não justifica a diferença de R$ 32 mil extras em relação ao Volvo. O sueco, por sua vez, vem com itens indisponíveis no rival, como carregamento de celular por indução, retenção automática dos freios, três entradas USB (sendo uma do tipo C, ainda incomum no Brasil), sistema de som Harman/Kardon e assistente de emergência Volvo On Call.

Mas o principal diferencial do sueco é o robusto pacote de segurança e direção semiautônoma, formado por controle de velocidade de cruzeiro adaptativo (acelera, freia e faz curvas leves em rodovia a até 130 km/h), frenagem automática de emergência, alerta de mudança de faixa e leitor de placas. Ausência sentida em ambos é a do sensor de pontos cegos nos retrovisores, especialmente pela coluna traseira larga adotada pelas duas marcas.

Desempenho parelho

O BWM possui motor 2.0 turbo com 192 cv e 28,5 kgfm entre 1.350 e 4.600 rpm. O câmbio é automatizado de dupla embreagem e sete marchas, conjunto até então inédito na gama da alemã no Brasil. Já o Volvo traz sob o capô uma unidade 2.0 turbo com 252 cv e 35,6 kgfm de torque na faixa de 1.800 a 4.800 rpm, gerenciada por uma caixa automática de oito posições.

Na pista de testes, o sueco fez valer a melhor relação peso/potência na prova de aceleração de zero a 100 km/h, com 7s3, ante 7s5 do BMW. Já nas provas de retomada, o alemão garantiu vantagem sobre o Volvo graças à agilidade da caixa de dupla embreagem. Foram 6s6 no ensaio de 60 a 120 km/h, contra 7s1 do rival.

Na hora de frear, o X2 garantiu a boa marca de 38,6 m ao estancar de 100 a zero km/h – o oponente parou 1,3 m depois. Mesmo com desempenho parelho, o BMW consumiu menos combustível. Registramos 12,1 km/l na média PECO (cidade/rodovia), enquanto o Volvo anotou 9,9 km/l. Construído na base UKL (a mesma de X1 e MINI Countryman), o X2 mantém o DNA característico da marca, com direção bastante comunicativa e acerto de suspensão mais rígido, um convite para condução mais esportiva. Também reforçam esta tese a posição de guiar mais baixa, os bancos com ótimo apoio para o corpo e o volante de aro espesso, além do tradicional acelerador com fixação no assoalho.

Câmbio do Volvo

Câmbio do BMW

Já o Volvo, apesar de mais potente e rápido em acelerações, possui acerto voltado para o conforto, mesmo com o modo de condução Dymanic ativado. Ponto positivo do XC40 é que a força é distribuída de maneira mais uniforme na hora de acelerar graças à tração integral – no X2, ela é sempre dianteira.

Ainda que não seja um fator primário de compra para clientes deste segmento, o custo estimado de manutenção é menor no Volvo. O dono do XC40 irá gastar R$ 3.597 com as três primeiras paradas para revisão – R$ 456 a menos que no X2. Na hora de contratar o seguro, o BMW dá o troco, com R$ 8.040 por um ano de apólice, ante R$ 8.984 do rival.

Quem está de olho em um SUV ou crossover com forte apelo visual tem nos modelos deste comparativo belas referências no assunto. O BMW destaca-se pelo desempenho mais esportivo e consumo de combustível comedido – mas cobra caro por isso, sem uma contrapartida em nível de equipamentos. O Volvo, por sua vez, acerta em sua proposta mais confortável, além do preço menor de compra e do belo recheio de itens de série. Na soma das análises técnicas e de mercado, o sueco vence o alemão pela relação custo-benefício imbatível, com um placar de 314 contra 300 pontos.

Veja a tabela completa com os números do teste em pista:

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