O ronco dos cinco cilindros vai das notas mais delicadas aos mais altos rompantes no novo Audi TT RS
Diz um grande amigo que “quem corre no trânsito é porque ouve música ruim no carro”. Pois, para testar o novo Audi TT RS, compilei a melhor seleção de canções que podia para ajudar a fazer uso responsável de seus 400 cv de potência em vias públicas da Grande São Paulo e interior. Mas ao ligar o motor, a versão mais nervosa do esportivo da marca alemã já emana aquela sinfonia que um fã de automóveis gosta de ouvir.

Ordem de ignição 1-2-4-5-3, dois estampidos, um ronco metálico e nervoso: de cara, o novo motor 2.5 TFSI de cinco cilindros em linha avisa que não está lá para brincadeira. Se quiser aumentar o volume, há um botão no console que alterna o ronco de som do escapamento entre “Padrão” (alto) e “Esporte” (bem alto).

Motor 2.5 TFSI de cinco cilindros gera 400 cv e 48,94 kgfm
Além de ganhar 60 cv em relação ao TT RS anterior, cárter e bloco passaram a ser fabricados em ligas de alumínio, que o deixaram 18 kg mais leve. É exatamente o mesmo motor aplicado nos novos Audi RS3, bem como, o mesmo sistema de transmissão com câmbio S tronic de sete velocidades e tração integral quattro. Mas no TT o desempenho é favorecido pelo peso total menor – 1.440 kg contra 1.510 do RS3 Sportback. Isso faz a relação peso/potência passar de 3,77 para 3,6 kg/cv, o que garante ainda mais diversão para o afortunado ao volante. Para garantir retomadas instantâneas, a “mesa” de torque máximo de 48,94 kgfm está disponível por larga faixa de rotações, de 1.700 a 5.850 rpm.

Superesportivo de bolso
Curto (4,19 m de comprimento), baixo (1,34 m de altura) e largo (1,83 m), o TT já concebido naturalmente para prover uma dirigibilidade excepcional. Ao receber o devido tratamento da Audi para se tornar “RS”, ele ganha alma de competição. Seus resultados nos testes de pista não só são melhores do que os do RS3 como se assemelham a superesportivos de cilindrada bem maior: aceleração de zero a 100 km/h em 3s8 (contra 4s17 no RS3 Sportback) e retomada de 60 a 120 km/h em 3s9 (quase 0s5 mais rápido que o “irmão” com o mesmo trem de força). A velocidade máxima declarada pela Audi é de 280 km/h.

Suspensão esportiva pode ser cansativa em viagens mais longas, mas o prazer ao dirigir o TT RS compensa
Mas isso não quer dizer que se trata de um carro indomável na vida real. Pelo contrário. O foco de um pequeno esportivo como o TT é o prazer ao dirigir e a Audi conseguiu preservar essa característica mesmo nesta versão. Na pista, mude o modo de condução para “dynamic” e o câmbio troca as marchas mais rapidamente e a dirigibilidade do carro se torna ainda mais afiada. Quando deixar o autódromo, basta colocar no modo “comfort” e pegar leve no acelerador que o TT RS pode ser tão gentil quanto sua versão comum (se é que podemos chamar um TT de comum). Até quando o sistema stop/start está acionado, ao se soltar o pedal do freio, o motor volta à vida macio, sem o estardalhaço da ignição inicial. E, para um carro de 400 cv, ainda é econômico: 7,3 km/l de gasolina na cidade e 11,3 km/l em rodovia.

Painel de instrumentos digital concentra todas as informações

Apesar de não estranhar o uso urbano, sua suspensão esportiva parece refletir imperfeições do solo até se passar por cima de uma impressão digital. Pode ser um pouco cansativo em viagens mais longas, entretanto, todo o resto da experiência de se pilotar um carro deste vai fazer você esquecer qualquer incômodo. Uma única observação, que não é unânime aqui na redação: o painel digital concentra todas as informações e, como não há uma tela dedicada ao sistema multimídia, qualquer mudança simples (trocar de uma lista de músicas para outra no aplicativo do celular, por exemplo) obriga que se mude toda a configuração da tela.

Centro das atenções
O Audi TT RS é um ímã de olhares tanto pelo seu desenho único, ainda mais belo com os apêndices aerodinâmicos desta versão. Saltam à vista os grandes discos de freio com pinças saltadas sob as rodas de liga leve tem um diâmetro de 19 polegadas. Curiosamente, os pneus de série são os mesmos Hankook Ventus 245/35 das versões Coupé e Roadster de 220 cv.

Interior confortável... Para duas pessoas.

O lado ruim é que tudo o que faz o TT RS um carro apaixonante se torna um atrator de motoristas apressados, muitos deles achando que o simples fato de dirigir um esportivo nas ruas é um convite ao racha. Pois, em meio à Marginal Tietê, um qualquer colou à minha traseira e acendia o farol insistentemente, mesmo eu estando bloqueado pelo tráfego à direita e bem no limite de velocidade da via. Quando consegui dar passagem, deu para perceber que o cidadão ouvia sertanejo universitário no último volume.

*Texto publicado originalmente na edição 294 (abril/2018) da Revista CARRO

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