Twiggy é incorruptível. Há décadas ela presta serviços para a Auto Motor Und Sport (revista alemã do grupo Motorpress, do qual o Carro Online faz parte) e, como boneca de testes, transmite as informações precisas sobre o espaço nos carros avaliados. Pois Twiggy percebeu imediatamente que embora a nova geração do Mercedes-Benz Classe C (que parte de 33.558 euros na Alemanha) tenha ganhado 95 mm no comprimento, o espaço interno pouco mudou. Dois adultos conseguem se acomodar com conforto no banco traseiro, mas para um terceiro passageiro essa é uma tarefa quase impossível.
Quem tem mais de 1,80 metro terá problemas com o espaço para a cabeça, especialmente por conta das limitações causadas pelo teto de vidro. Motorista e passageiro ainda contam com uma sensação de amplitude, que está no mesmo nível da oferecida pelo BMW.
Em compensação, embora o Série 3 exista na configuração atual há apenas dois anos, o seu interior parece ultrapassado em comparação com o do novo Mercedes. Mesmo com o reconhecido sistema iDrive, existem botões demais na cabine. O Mercedes conta com um amplo console central dominando o seu interior, que parece extremamente limpo. A operação é realizada por meio de um novo touchpad no centro.
Vamos analisar detalhadamente os dados que Twiggy apurou: em praticamente todas as medidas o BMW Série 3 está um pouco à frente. Além disso, o acesso à traseira é mais fácil, porque as portas têm maior ângulo de abertura. A visibilidade geral também é melhor, embora o campo de visão de 91,5° seja um pouco menor que o do Classe C (98,5°). É impossível deixar de questionar: então, onde foram parar os 95 milímetros que aumentaram o comprimento total do novo Classe C para 4,69 metros?
O engenheiro-chefe da Mercedes, Christian Früh, tem a resposta: “O novo eixo dianteiro ‘roubou’ de três a quatro centímetros do espaço. Precisamos também de uma área adicional para acomodar os futuros sistemas híbridos. As novas exigências de segurança contra impactos também custam espaço.”
Mas, de acordo com Früh, devido ao formato diferenciado dos encostos dos bancos dianteiros, os passageiros que viajam atrás possuem quatro centímetros a mais de espaço disponível para as pernas em relação ao modelo anterior. O engenheiro também lembra a importância de criar porta-objetos maiores, o que foi bem-sucedido.
Na comparação dos porta-malas, há um empate entre Série 3 e Classe C, pois ambos acomodam 480 litros com os bancos traseiros na posição normal. Em ambos também é possível bascular o encosto traseiro na proporção 40/20/40. Assim, na comparação geral do espaço interno existem muito mais semelhanças do que diferenças a bordo dos dois sedãs.
Quando se trata de multimídia a Mercedes não quer mais ficar atrás da BMW. Graças às novas opções de equipamentos, tais como o head-up display colorido, o já citado touchpad ou a conectividade melhor, o novo Classe C deu um grande passo à frente. E quem optar pelo novo sistema multimídia Comand receberá, futuramente, um pacote de dados pelo qual o navegador receberá relatórios de tráfego ao vivo. O preço inclui os custos de ligação por três anos.
As demais funções on-line continuam sendo executadas por meio de um smartphone acoplado. E não precisa ficar ressabiado, por conta de problemas anteriores com celulares incompatíveis. A Mercedes mudou o seu sistema Bluetooth, que agora é compatível com a maioria dos sistemas operacionais (iOS/Apple, Android e Blackberry).
Além disso, existe um módulo opcional que permite realizar chamadas telefônicas e conectar-se à internet mesmo sem um celular “pareado”. A quantidade de recursos on-line (aplicativos) deverá aumentar até o final de 2014 para 22, incluindo comodidades como pesquisa de estacionamentos, hotéis, postos de combustível com preços mais em conta, notícias, rádio via internet e redes sociais. Mesmo assim, a Mercedes não conseguirá chegar perto do que é oferecido pelo Connected Drive da BMW, atualmente com mais de 70 funções!
A operação, que é realizada por meio de uma quantidade menor de botões no console central também foi cuidadosamente “virada do avesso”. Assim, muitas funções podem ser executadas através do touchpad, com o qual são escolhidas as opções de menu, alteradas as escalas dos mapas e inseridos os endereços de navegação, por exemplo. Mas as mudanças de estações de rádio são mais complicadas e, além disso, o menu não é tão intuitivo como no Série 3, cujo iDrive foi sendo aprimorado ao longo dos anos e hoje á bem mais amigável.
Como nem todos os compradores de Classe C estão dispostos a gastar 3.500 euros pelo sistema Comand, a Mercedes oferece um navegador integrado ao painel por 900 euros (com monitor de 7” em vez de 8,4”, e cartão SD em vez do disco rígido do carro).
Assim, por enquanto, o BMW Série 3 segue em vantagem frente ao novo oponente. Nas próximas edições, vamos analisar os dois concorrentes nos demais quesitos, como desempenho ou dirigibilidade. Será que o novo Classe C conseguirá reverter este quadro?