Cuidar dos freios do carro não é facultativo

Imagine a seguinte situação: você está dirigindo por uma rua tranquila quando, de repente, uma criança corre na frente do veículo para resgatar uma bola perdida. Sua primeira reação é pisar fundo no pedal do freio e torcer para que o pior não aconteça, certo? Mas, e se os freios vierem a falhar?

Isso pode ser perfeitamente evitado ou minimizado, dependendo do caso, se a manutenção do sistema estiver em dia. Preventivamente, muitas ações podem ser tomadas e você entenderá que, nem sempre, as pastilhas são as responsáveis pela perda de eficiência dos freios.

Como funciona

Basicamente, junto à roda, há um disco que gira enquanto o veículo está em movimento. As pastilhas ficam alojadas dentro das pinças de freio que, por sua vez, envolvem o disco. Quando o pedal de freio é acionado, um fluido é comprimido na linha hidráulica e este aciona um pistão que empurra as pastilhas contra o disco, que reduz a sua rotação e, consequentemente, a velocidade do veículo. O mesmo acontece em sistemas à tambor, mas com duas peças que atuam no interior de um tambor que gira junto com a roda do carro. Quando o freio é acionado, estas se expandem contra as paredes internas do componente, o que reduz sua rotação.

Conforme as pastilhas (lonas) degradam, os discos (tambores) também perdem material de sua superfície (embora em menor intensidade). Estes desgastes em ambos os componentes são compensados até certo ponto por dispositivos presentes no conjunto, mas é chegada uma hora em que somente a substituição das peças resolve o problema.

 

Principais Sintomas

Vários são os sinais dados para indicar que os freios precisam de um cuidado especial. Listamos os principais de acordo com cada item do sistema:

Pedal

É nele que tudo começa. Dificilmente apresenta uma falha, exceto se por algum acidente, entortar. Portanto, caso você pise no freio e este trepidar, o culpado, normalmente é outro.

Servo freio

Sua função é multiplicar a força aplicada pelo motorista no pedal do freio. Sem ele, o esforço para frear o carro seria bem maior. Funciona com o vácuo gerado pelo funcionamento do motor e é exatamente por isso que, quando o motor é desligado, o pedal do freio torna-se rígido quase que instantaneamente. Portanto, caso durante a condução o pedal enrijeça, pode haver vazamento no componente. Normalmente não requer manutenção preventiva e é um dos poucos itens que só é trocado quando há algum problema.

“Quando o nível do reservatório de fluido abaixa é preciso verificar se o interior do servo freio está contaminado com fl uido. Se estiver, geralmente é recomendada a troca do componente. Entradas falsas de ar no coletor de admissão também fazem com que a depressão no interior do servo freio caia, reduzindo a sua efi ciência”, explica o engenheiro mecânico Fernando Landulfo, professor da escola de engenharia da FMU.

Tubulações e flexíveis

Transportam o fluido por todo o sistema hidráulico. Normalmente, há partes em aço em regiões rígidas e outras flexíveis emborrachadas próximas às rodas. O principal cuidado deve ser para que eles não apresentem vazamentos ou inchamentos. Quando isso acontece, a segurança dos ocupantes pode ser colocada em risco. Não há tempo estimado para troca, mas é outro item que merece análise recorrente.

“Quando ocorre o inchamento de um flexível durante uma frenagem, ou a pressão não é transmitida ao freio daquela roda (ela é utilizada para inchar o flexível), desequilibrando o sistema ou então, o flexível inchado funciona como um acumulador de pressão, impedindo o alivio da pressão do sistema da roda onde esta instalado. Deste modo, há superaquecimento dos elementos de atrito e do fluido, além de prejudicar a dirigibilidade”, acrescenta Landulfo.

Fluído

O fluido do freio é um líquido que fica presente no reservatório acima do cilindro-mestre. É ele que exerce a pressão hidráulica para acionar os pistões das pinças de freio dianteiras contra as pastilhas e para os cilindros de roda traseiros (quando o veículo possui tambor ao invés de discos) acionarem as lonas.

 

É vital no sistema e requer atenção semanal quanto a possíveis vazamentos e/ou contaminações. Atualmente, são comercializados os fluidos DOT 3, DOT 4 e DOT 5.1 que são higroscópicos, ou seja, absorvem a umidade. Com isto, o fluido tem seu ponto de ebulição diminuído, o que o faz propício a criar bolhas. Quando isso ocorre o pedal de freio “desce”. Há ainda o DOT 5 que é a base de silicone e que repele esta humidade, mas não é compatível com as borrachas e vedadores dos sistemas que utilizam os outros fluidos.

Portanto, não podem existir misturas. O recomendado sempre é a troca de todo o fluido (pelo recomendado pela fabricante do veículo) a cada 10 mil quilômetros, ou dois anos, o que ocorrer primeiro.

Pastilhas e lonas

São elas as responsáveis por exercer o contato mecânico para reduzir a rotação nas rodas. Caso estejam gastas, o carro tende a demorar mais para parar, com a sensação de que “escorrega” mais do que deveria. Em casos mais acentuados, é comum ouvir chiados agudos vindos dos sistemas à disco, ou como algo “arrastando”, nos freios à tambor. A durabilidade de ambos varia muito e dependem de uma série de fatores, como a forma de condução, tipo de câmbio (automático/automatizado), trajeto rotineiro (linha reta, trânsitos ou trechos íngremes em baixas velocidades) e qualidade dos materiais empregados. Portanto, é bem-vindo conferir como estão a cada 15 mil quilômetros.

Vale lembrar que há algumas pastilhas que “avisam” o momento da troca com um indicadorde desgaste que emite um som agudo ou uma luz espiã no painel. Para aquelas que não possuem este recurso, há uma abertura para inspeção na pinça em que é possível observar o nível de degradação da peça.

Tambores

Também já falamos bastante sobre esta peça. Ela se desgasta com o atrito com as lonas e, por isso, deve ter sua degradação acompanhada. Assim como os discos, podem ser retificados. Caso não obedeça mais ao diâmetro interno máximo, a substituição se faz necessária.

Discos

Como falamos anteriormente eles sofrem desgaste. Há casos de empenamento causados por temperaturas elevadas seguidas de súbito resfriamento (poça d’água após uma frenagem longa). Quando isso acontece, o pedal do freio pode trepidar. Não há um prazo certo para sua substituição,

no entanto, em alguns casos, podem ser retificados desde que obedeçam à espessura mínima recomendada pelo fabricante após o procedimento. Normalmente, recomenda-se a substituição.

Cilindro-mestre

Ele distribui o fluido de freio pressurizado para o sistema hidráulico. A falha mais comum é apresentar corrosão interna devido à contaminação do fluido por água e, por consequência, vazamentos. Dessa forma, o pedal pode ficar baixo. Se o fluido for substituído no período recomendado pelo fabricante, o cilindro-mestre tem longa vida útil.

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