O catalisador é aliado para os veículos agredirem menos o meio ambiente, mas para isso é necessário ficar de olho nos sinais de desgastes

A indústria automobilística está em constante mudança. Uma das causas dessas alterações é o problema da poluição dos veículos movidos a combustíveis fosseis. Entre os componentes criados para diminuir e até barrar esses malefícios está o catalisador.

Confundido muitas vezes com um filtro, a peça tem papel muito mais importante do que apenas barrar as impurezas emitidas pelo escapamento de um veículo. Localizado no sistema de escapamento, ou sistema de exaustão, o componente desempenha a função de converter os gases poluentes em resíduos inofensivos à saúde e a natureza. Testes realizados pelas fabricantes mostram que ele consegue realizar a reversão de 98% dos gases tóxicos em vapores inóxios.

O interior do conversor catalítico é composto por um substrato que pode ser de cerâmica ou metal, além de ser revestido por variados óxidos e metais nobres, como a platina, paládio ou ródio – agentes que transformam os gases poluentes em resíduos limpos.

Com intuito de barrar problemas ambientais causados pela poluição veicular, a legislação brasileira exige que o catalisador original dure pelo menos 80 mil km em pleno funcionamento, ao passo que o produto adquirido na reposição cumpra 40 mil km sem precisar de manutenção. Para evitar maiores problemas, a melhor solução é realizar uma manutenção preventiva e tomar alguns cuidados com o catalisador.

Tudo começa na bomba de combustível

O abastecimento com combustível de qualidade é um dos primeiros passos que deve se tomar para manter o catalisador do seu carro em ordem. Um combustível adulterado pode gerar resíduos que prejudicam e eficiência e diminuem a vida útil do catalisador, explica Fernando Landulfo, Consultor Técnico e professor de engenharia da FMU. “Os resíduos gerados pelos combustíveis adulterados podem conter gomas e vernizes que acabam por danificar o componente”.

As velas de ignição são outro ponto que também merecem atenção nesse processo, pois quando desgastadas podem prejudicar o inicio do processo de combustão, diminuindo a eficiência do mesmo, descreve Landulfo. Além disso, por trabalhar em altas temperaturas, as velas sofrem com o derretimento dos eletrodos metálicos. Essa dissolução pode ser causada em casos extremos justamente por combustíveis adulterados. Os cabos de velas e bobinas também devem ser examinados.

A troca de óleo tem que ser realizada de acordo com os prazos indicados pela fabricante do veículo já que elementos ou resíduos referentes ao óleo podem se acumular no filtro de óleo atrapalhando o processo. Fósforo, zinco, cálcio e magnésio se acumulados no catalisador podem encobrir e impossibilitar os metais nobres de realizarem o trabalho de conversão de gases tóxicos em vapores inofensivos.

Lubrificantes vencidos também são um problema, pois podem estar contaminados com o combustível, que reduz sua viscosidade e facilita a queima desse lubrificante na câmara de combustão, além de provocar borra no interior do motor.  “O resíduo dessa queima pode saturar o catalisador, diminuindo a sua eficiência e vida útil” explica Fernando Landulfo.

A temperatura do motor deve ser examinada com atenção também, pois quando o motor trabalha sem a válvula termostática, executa sua atividade mais frio causando assim uma mistura mais rica que pode saturar o catalisador. Baterias e alternadores também são itens que se estiverem em más condições podem prejudicar o sistema de ignição e consequentemente o catalisador.

“O mesmo pode se dizer com relação a itens relativos a mecânica do motor (compressão dos cilindros, regulagem de válvulas, filtro de ar, sensores e atuadores do sistema de injeção, e o carburador) que interferem diretamente sobre o processo de combustão” finaliza o professor.

Apesar de todos esses cuidados, o motorista também tem que ficar atento aos indícios de quando o catalisador pede socorro. Ao notar que existe uma perda de potência do motor repentina, aumento do consumo de combustível e luz amarela da injeção no painel constantemente acesa, deve-se procurar um mecânico de confiança pois o catalisador pode estar comprometido.

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