A embreagem dá sinais de que pode vir a falhar, mas você deve saber interpretá-los

Quem tem carro com câmbio manual já sabe: sem embreagem, o possante não anda. É praticamente certo que você também já tenha ouvido alguém mencionar que passou por apuros quando a peça se danificou, ou que seu mecânico já tenha comentado “que era bom conferir o estado da embreagem para você não ficar na mão”. Bem, na verdade se ela falhar, você acabará a pé.

A embreagem é responsável por acoplar o motor e o câmbio de maneira suave. O câmbio, por sua vez, através da relação de marchas selecionadas e do diferencial, transfere a rotação e o torque oriundos do motor às rodas e permite que o veículo se locomova de maneira adequada. “Soltar repentinamente o pedal da embreagem a partir da posição ‘totalmente acionado’, provoca trancos que podem danificar todo o conjunto da transmissão do veículo”, explica Fernando Landulfo, Consultor Técnico e professor de engenharia da FMU.

Outra função importante da embreagem é servir como um “fusível do sistema”, ou seja, proteger a transmissão de sobrecargas, filtrar as vibrações do motor e protegê-lo em caso de falhas no câmbio ou vice-versa.

Dura quanto?

É difícil afirmar acerca da durabilidade de um sistema de embreagem, pois depende de diversos fatores, como o uso urbano sob trânsito intenso e o modo de condução por parte do motorista, por exemplo. Devido a isso, é impossível estipular um prazo para a troca, mas a melhor maneira de identificar um defeito está no seu pé esquerdo, pois somente ele é capaz de identificar alguns sintomas de falha.

Mas o mesmo pé pode ser um causador de falha: “Quando ele fica apoiado (no pedal de embreagem), parte do torque gerado pelo motor é dissipado no atrito entre o disco, o platô e o volante do motor. Ou seja, o conjunto tende a superaquecer e se desgastar prematuramente”, comenta Landulfo.

Há ainda outras falhas comuns, como a mudança da altura do pedal (cada vez mais alto o ponto para seu acionamento), aumento da força em seu acionamento (pedal fica ‘pesado’), dificuldades ao engatar a marcha, ruídos no acionamento, embreagem patinando (ao se tirar completamente o pé do pedal da embreagem a rotação do motor sobe, mas o veículo não acelera) ou trepidando (quando carro começa a “vibrar” ao sair da inércia).

Falhou: e agora?

Caso apresente falha, não há segredo: leve o carro até o seu mecânico de confiança para que ele possa fazer o diagnóstico adequado. Na maioria dos casos, a recomendação é que seja efetuada a troca.

Em sistemas ‘mecânicos’, é necessário conferir o estado do cabo, do tensionador e do atuador (garfo) de embreagem. Nestes, o kit é composto por platô, disco e rolamento. Já nos de acionamento hidráulico, este último componente é substituído por um atuador hidráulico.

Nem sempre a troca é recomendada, mas faz-se necessária uma boa verificação, assim como a análise do fluido hidráulico. Em sistemas semihidráulicos o diagnóstico e reparo é bastante similar aos outros citados. “O atuador hidráulico deve ser substituído quando recomendado pela fabricante do veículo ou quando apresentar vazamento. Se o fluido hidráulico vazar e atingir o disco de embreagem, este ficará contaminado e perderá as suas propriedades de atrito”, diz Landulfo.

Outro cuidado que o seu mecânico deve ter é conferir o estado do volante do motor. “É preciso ter muito cuidado quando se decide tornear o volante do motor. Antes de fazer é preciso saber se essa operação é permitida e, caso seja, quanto de material pode ser removido. Se o volante estiver muito danificado, o melhor é substituí-lo”, finaliza Landulfo.

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