Os executivos da empresa o definem como um supercarro acessível, já que a sua estrutura possui plástico reforçado com fibra de carbono. Mas, verdade seja dita, o Alfa 4C segue o mesmo conceito que a Lotus utiliza no Elise desde 1995: baixo peso e potência mediana, a fim de obter bom desempenho. É claro, porém, que a fórmula foi aperfeiçoada e que o material compósito tem vantagens sobre o alumínio. E a primeira surge logo ao se abrir a porta. 

Entrar e sair do carro é muito mais fácil e a posição de dirigir é excelente. O banco é firme, mas permite ajuste da inclinação do encosto e distância do volante. Este, por sua vez, tem base achatada — que, nesse caso, tem função prática e não apenas estética, pois permite passar as pernas com mais facilidade — e sua coluna pode ser regulada em altura e distância.

Já o quadro de instrumentos oferece informações em demasia para um espaço tão limitado. Mas é questão de costume. A visibilidade dianteira é perfeita, mas a traseira dá a sensação de se estar em um furgão. No console, diversos botões foram “herdados” de outros Alfa e não falta o conhecido comando DNA (similar ao que equipa o Fiat Punto T-Jet) com a posição Race, na qual o ESP é desligado.

Quatro teclas comandam o câmbio robotizado de dupla embreagem (drive, ré, automático ou manual e neutro), além das borboletas junto ao volante. Os pedais estão posicionados de modo a facilitar o acionamento do freio pelo pé esquerdo, para quem aprecia. O acionamento do motor é feito por chave convencional.

De fora, o ronco do escapamento lembra o de uma Ferrari 458 de competição, mas, dentro do carro, só se ouve os sopros e assobios do turbo e os “cliques e claques” do câmbio. Em compensação, não se percebe muito ruído de rolamento. Este Alfa roda com firmeza, mas sem maltratar as costas dos ocupantes.

Nas manobras, a ausência de assistência da direção exige alguma força, mas ao se acelerar, a primeira sensação que se tem é contraditória, já que a leveza do carro (apenas 895 kg) faz o 4C ganhar velocidade com uma rapidez desconcertante. Sobre piso irregular, a dianteira parece flutuar, exigindo correções de volante constantes e muita atenção. Com o acelerador no fundo, os 35,7 mkgf dispensam a redução de marchas até surgirem os 240 cv, a 6.000 rpm.

O melhor é que com a mesma rapidez com que arranca, o 4C estanca em pouco espaço e entra nas curvas com precisão. Mas não é preciso dosar tanto o acelerador na saída, já que a tração é excelente e o equilíbrio do carro muito bom. Nas estradas, há bastante para explorar, sem tomar sustos e nem gastar uma fortuna com gasolina (a média registrada durante a avaliação foi de 8,7 km/l).

De volta ao Centro Experimental de Balocco (complexo de pistas de testes originalmente da Alfa Romeo, hoje pertencente ao grupo Fiat), pudemos levar o 4C ao limite. Para se ter ideia, a pista principal possui uma curva parabólica que termina em uma reta onde se chega a 240 km/h. Então, fomos avaliar o Launch Control, que permite arrancar de 0 a 100 km/h em 4s5. Depois, a frenagem sem servo-freio, feita de maneira potente, consistente e facilmente modulável.

O câmbio se sai melhor em aceleração plena, mas a 2ª marcha nem sempre entra quando você deseja. As mudanças bruscas de direção revelam um meticuloso controle de carroceria, beneficiada por uma boa distribuição de peso (40% na dianteira e 60% atrás).

O Alfa Romeo 4C também sabe brincar. Freando tarde, é possível fazer a traseira derrapar nas curvas, apesar do comportamento neutro do carro. Mas depois, é bom agir depressa com as mãos, para que a manobra não termine em um cavalo de pau. Caprichando na entrada e acelerando fundo desde a metade da curva, o controle de tração permite “soltar” a traseira num autêntico drifting, controlada com uma leve manobra de volante.

Ao fim de poucas voltas, fica nítido que o Alfa 4C pode suportar mais potência. Aliás, uma versão mais apimentada deverá chegar em breve. Até lá, quem adquirir uma máquina destas não se sentirá desiludido.

Ficha técnica 

Velocidade máxima:  258 km/h; Aceleração de 0 a 100 km/h: 4s5; Consumo médio: 14,7 km/l; Motor: 4 cilindros, central, transversal, injeção direta de gasolina, turbo e intercooler; Cilindrada: 1.742 cm³; Potência 240 cv a 6.000 rpm; Torque 35,7 mkgf entre 2.200 rpm e 4.250 rpm; Câmbio robotizado, dupla embreagem, 6 marchas; Tração traseira; Suspensão dianteira triângulos superpostos; Suspensão traseira McPherson; Rodas liga leve, aro 18” (dianteira) e 19” (traseira); Comprimento 3,99 m; Largura 1,86 m; Altura 1,18 m; Entre-eixos 2,38 m; Porta-malas 110 l; Peso 895 kg.

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