Camiseta moderna: 39 libras. Jaqueta de couro exclusiva: 895 libras. O que mais? Vejamos, casaco decente, boné, acessórios? As opções são muitas. Não, não estou navegando no site do eBay; e sim fazendo um passeio pela loja da Lotus. Afinal, a tradicional marca britânica passou a contar com designers de moda.
 
Seja com tecidos, Fórmula 1 ou Le Mans, Dany Bahar, principal executivo da Lotus, de 39 anos, quer fortalecer a marca. A estrela dos carros esportivos outrora um pouco apagada receberá um polimento de alto brilho para então competir com as grandes campeãs.
 
Assim, o atual Lotus Exige S também é equipado com o motor V6 do Evora S. O potente modelo de 2+2 lugares e 350 cv, por sua vez, receberá melhoria na qualidade de seu interior, além de uma caixa automática aperfeiçoada. Mas, à frente de todos os novos modelos, surge o mais potente Lotus de todos os tempos, o Evora GTE. Trata-se de uma versão limitada equipada com um motor V6 3.5 de 440 cv. 
 
Escuro como a noite, o modelo radical se espalha na pista de testes. Com garras de fibra de carbono maciças ele se impõe. E é curioso como, embora tratando-se de uma versão, ele aparente ser tão distinto do Evora “normal”. A frente possui uma grande “aba” sob a saia exuberante e, atrás, um belo aerofólio se apoia sobre a tampa. É uma bonita cópia dos competidores de Le Mans, também no que se refere aos materiais utilizados. “Setenta por cento da carroceria é de fibra de carbono reforçada”, explica o chefe do projeto, Ian Fry.
 
Com 100 kg a menos, mas cer­ca de 100 mm a mais de bitola em relação ao Evora S, o GTE se concentra no que é essencial. Exceto pelo painel de instrumentos e os bancos perfeitos, a fibra de carbono domina também o cenário interior — desde o piso, passando por trás dos assentos até os revestimentos das portas.
Lotus Evora GTE
 
Para comprovar as suas intenções, o GTE “saúda” a pista com muitos gases do escapamento. “Ainda não em conformidade com a União Europeia”, sorri Ian Fry. Até o seu ingresso no mercado, ele ainda será “civilizado”, quando receberá ESP e freios com ABS.
 
Um rápido movimento do câmbio e surge um som metálico, proveniente da transmissão.O Evora GTE não possui dupla embreagem, mas a caixa automática de 6 marchas trabalha de modo que as engrenagens se casem perfeitamente. Cada mudança de marcha é acompanhada de um movimento de cabeça em reconhecimento ao motor V6, é claro.
 
E, acredite, ele merece, pois o propulsor Toyota aperfeiçoado com relação à sua admissão e escapamento é um espetáculo. No conta-giros, o ponteiro passa pelos números rapidamente, avançando em direção a 7 000, sem se permitir sequer uma pequena pausa.
 
Se o motor de 3,5 litros é potente, os freios não deixam por menos e dão a impressão de que o carro possui garras que se “cravam” no piso assim que aciono o pedal do meio. Mas lembre-se: este Evora ainda não possui ABS. Portanto, é preciso cuidado redobrado na hora de parar.
 
As rodas, apesar das dimensões generosas (dianteiras de 19” e traseiras de 20”), não parecem tão grandes quando se observa o Evora de lado e se deixam rolar. Elas são sustentadas por braços transversais mais longos e com um ajuste das molas dos amortecedores.
 
Isso resultou num projeto de sucesso, fazendo com que o GTE seja tão ágil quanto Wayne Rooney na grande área adversária. Ele é preciso no drible e segue em linha reta. A direção exata res­ponde de maneira decidida. No limite da aderência, o GTE transmite a sensação de neutrali­dade por muito tempo. E então, como não poderia ser diferente em um modelo com motor central e tração posterior, a sua traseira lembra que as leis da física não podem ser desrespeitadas.
 
Com relação à dirigibilidade deve-se saber o que se está fazendo, quando a excelente dinâmica do radical e um pouco rude Evora é explorada. Do contrário, resta praticar com paciência. Tudo bem, ainda tenho tempo, pelo menos um ano até que a alta-costura da coleção automobilística da Lotus — totalmente renovada desde a sua base, porém mais madura — torne-se apta para ser colocada à venda. Isso é o que espero, assim como milhares de fãs.   
 
Dados da fabricante Vel. máxima 277 km/h; Aceleração de 0-100 km/h 4s8; Consumo médio n/a; Motor V6, longitudinal central, com compressor, central; Cilindrada 3 456 cm3; Potência 440 cv a 7 000 rpm; Torque 42,8 mkgf a 4 500 rpm; Câmbio automático sequencial, 6 marchas; Tração traseira; Rodas liga leve, aro 19” (f) 20” (t); Suspensão dianteira e traseira independente; Comprimento 4,36 m; Altura 1,21 m; Largura 1,97 mEntre-eixos 2,57 m; Peso 1 335 kg
 
 
 

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