Um General Lee entre nós

FERNANDO NACCARI
De São Paulo (SP)
30/05/2018 14:02
Dodge Charger General Lee
Magnun 440 (7,2L de 375 cv)
Caixa automática Torqueflite 727 de três marchas e carburador Quadrijet Holley 750 cfm
Magnun 440 (7,2L de 375 cv)
Esconde o farol S2
Detalhes únicos
Assinatura de Luke Duke (Tom Wopat)
 Assinatura de Bo Duke (John Schneider)
Caixa automática Torqueflite 727 de três marchas
Interior em raríssimo estado de conservação
Rádio PX Cobra
Bandeira dos Confederados
Rodas Carroll Shelby 15 polegadas
Como num carro de corrida
Unidade possui as lanternas traseiras originais e autenticadas pela Warner Bros
De olhos abertos...
... ou fechados, continua lindo

Carro que fez sucesso em seriado ‘Os Gatões’ desembarcou no Brasil e surpreende pelo alto grau de fidelidade aos originais

Quem teve a oportunidade de viver no fim da década de 70 e início dos anos 80 assistiu a uma das séries de TV mais apaixonantes para quem gosta de carros, a The Dukes of Hazzard (Os Gatões), exibida de 1979 a 1985.

A história toda fluía em torno do invencível Dodge Charger 1969, denominado “General Lee”. Os “Duke boys” Bo e Luke eram primos em liberdade condicional, sem autorização para portar armas de fogo, razão pela qual utilizavam arco e flecha apenas em suas incursões pelo condado de Hazzard e que viviam se safando das ilegalidades do Chefe Hogg, que tentava sempre imputar-lhes a culpa por seus crimes.

Pôster original da série - Warner Bros

O Dojão americano era invencível. Tinha portas soldadas, santantônio interno, quebra-mato dianteiro, bandeira dos confederados no teto (uma variante retangular da bandeira de batalha quadrada do Exército Lee de Virgínia do Norte) e o “01” na porta. Com tudo isso, ele era capaz de vencer grandes perseguições policiais, fazia acrobacias e incríveis (e impossíveis) saltos.

O nome do carro era uma referência ao general da Guerra Civil Americana, Robert E. Lee (a princípio, pensaram em batizar o carro como “Traveler”, que era o nome do Cavalo do próprio Robert E. Lee) e o “01” na porta também tinha um significado especial: (0) = porque “nós começamos com nada”, e (1) = porque “nós estamos no caminho”. Acrescenta-se a lista a buzina de doze notas que reproduz a música “Dixie” que, durante a Guerra Civil Americana foi adotada como um hino do exército confederado.

Raridade até nos EUA

O Charger não foi a primeira opção para a gravação do seriado. A primeira opção era um Pontiac Firebird, mas o carro já tinha sua imagem ligada ao fi lme “Smokey and Bandit” de 1977. A segunda opção era o Mustang, que também foi descartado.

Durante o período em que a série e os dois filmes foram gravados, foram utilizados 309 exemplares, sendo 221 deles totalmente destruídos. Dos 88 restantes, apenas 23 se tem histórico e servem como veículos de exposição e tem um valor agregado extremamente alto.

Chegada ao Brasil

Como falamos, o seriado despertou paixão em milhares de fãs ao redor do mundo e um em especial, o engenheiro civil Antônio Celso da Costa Paiva, é um dos poucos a ter um General Lee na garagem (só existem mais 2 deles no Brasil). “Certo dia, no ano de 2008, li uma reportagem sobre importação de carros antigos para o Brasil e fiquei sabendo sobre a chegada do primeiro General Lee ao país. Percebi que a importação era acessível na época e isso me despertou a vontade de trazer uma unidade para o Brasil”.

A partir de então, a pesquisa foi incessante. “Busquei capacitar-me sobre este modelo e sobre o mercado norte-americano de leilões. Tive a ajuda de um especialista e, após 4 meses de procura e tentativas, identifiquei esta unidade que tinha passado por um ótimo processo de restauração e caracterização como General Lee. Fiquei totalmente focado nisso e arrematei esta unidade em uma disputa com outros 21 participantes (apostadores) em agosto de 2013. Trouxe ele e mais um grande lote de peças para terminar sua restauração”, explicou.

Mais do que exclusivo

Se as fotos já surpreendem, ver o carro de perto é uma ‘experiência cinematográfica’. O nível de conservação do modelo surpreende. “O meu general Lee é um exemplar muito fi el ao utilizado nos seriados, com destaque para o rádio PX Cobra, tapeçaria, rodas, antenas, santantônio e buzina Dixie a ar com 12 notas neste estado de caracterização é raro até nos EUA”, explica Antônio. O General Lee de Antônio tem detalhes únicos. “Os principais destaques do meu exemplar são os autógrafos dos atores Bo Duke (John Schneider) e Luke Duke (Tom Wopat) e, principalmente, as lanternas traseiras são originais e autenticadas pela Warner Bros, com uma plaqueta dourada que confirmam que foram utilizadas em alguns episódios da série”.

A unidade possui o motor Magnun 440 (7,2L de 375 cv), caixa automática Torquefl ite 727 de três marchas e carburador Quadrijet Holley 750 cfm. Segundo Antônio, o consumo urbano de gasolina é estimado de 2,3 km/l e o tanque de combustível tem meros 72 litros. Fecha a fi cha técnica do raríssimo modelo as rodas Carroll Shelby 15 polegadas calçadas com pneus BF Goodrich Radial T/A 235/60 na dianteira e 245/60, na traseira.