Tira-dúvidas: ESC, câmbio CVT e catalisador

Motorpress
Da Redação, em São Paulo (SP)
22/11/2016 18:46

Todo mês na revista CARRO o consultor técnico Bob Sharp responde às dúvidas dos leitores sobre tudo que cerca o universo do automóvel. Veja uma seleção delas:

Dúvida: Muitos carros saem equipados de fábrica com controle de estabilidade e se comenta que ele será item obrigatório a partir de 2020. Os carros ficarão mais estáveis e seguros?  
Walter Petinelli Jr. (São Paulo, SP)

ESC não torna o carro, necessariamente, mais estável

RESPOSTA: Mais estáveis, não, mais seguros, sim. Há uma crença de que o controle, ou programa eletrônico de estabilidade, torna os carros mais estáveis, mas não é bem assim. A estabilidade depende do projeto do veículo, de suas várias características construtivas. O que o controle de estabilidade faz é corrigir automaticamente a trajetória do carro, como numa desgarrada de frente ou escapada de traseira. Ele faz isso mediante aplicação seletiva dos freios e reduzindo a potência do motor. É uma grande ajuda ao motorista caso ele se veja numa situação de perder o controle do veículo. 

Câmbio CVT é feito pra durar a vida do veículo

Dúvida: Vários carros novos, como os Nissan March e Kicks, e o Honda Civic turbo, têm câmbio automático CVT e este possui uma espécie de correia. Ela precisa ser trocada periodicamente?
Alfredo Bauerman (Blumenau, SC)

RESPOSTA: A tecnologia empregada nesses câmbios é de tal ordem que a correia que transmite movimento de uma polia de "V" variável à outra, idêntica, por onde é feita a alteração da relação de transmissão, é feita para durar a vida do veículo, combinado com óleo lubrificante de propriedades especiais, este sim necessitando troca, mas a intervalos longos, nunca menos de 60.000 quilômetros ou mesmo jamais precisando ser trocado.

Dúvida: Estou pensando em comprar um desses carros alemães premium com dois ou três anos de uso, porém me dizem que eles só podem ser abastecidos com gasolina Podium. Além do preço, ela não é encontrada em todos os postos, especialmente nas estradas. Eu poderia usar gasolina comum em caso de necessidade? Isso afetaria o motor?
Antunes Gonçalves (Rio de Janeiro, RJ) 

Etanol na nossa gasolina não afeta modelos premium

RESPOSTA: A gasolina brasileira é exatamente igual em número de octanas em relação à dos países de vanguarda. A Podium de 102 octanas, inclusive, só é igualada por uma na Europa inteira. Abaixo da Podium há as premium da Ipiranga e da Shell, de 98 octanas, correspondentes à Super Plus europeia, enquanto a comum e a comum aditivada tem 95 octanas, que é a Super na Europa. Praticamente todos os carros do mundo são previstos para gasolina 95 RON e até mesmo para a 91 RON, que nem temos no Brasil. A diferença é nossa gasolina conter 25% ou 27% de etanol, contra 10% no máximo na Europa, mas isso nada afeta. A menos que se trate de carros de elevado desempenho com Porsche ou Ferrari, você pode abastecer seu alemão com gasolina comum, preferencialmente aditivada, que garante limpeza do sistema de alimentação e do cabeçote e válvulas.  

Dúvida: Um amigo me disse que o mecânico dele o avisou que, por o carro ter passado de 80.000 km, já deveria ter trocado o catalisador, o máximo que a peça dura. É isso mesmo? O meu está com quase isso.
Rodolfo Valverde (Campinas, SP)

 

RESPOSTA: Realmente há esse mito, baseado no fato de que os catalisadores devem durar pelo menos essa quilometragem ou cinco anos. Na verdade, catalisadores são feitos para durar a vida do carro, independentemente de quanto rodem ou por quanto tempo, observados os mínimos acima. O catalisador não “gasta”, seus metais preciosos não se esvaem. Entretanto, o catalisador pode se danificar tanto por agentes externos, como pancadas, quanto por mistura ar-combustível não queimada que eventualmente chegue a ele, causando superaquecimento e derretimento do núcleo de cerâmica. Por essa razão, o motor deve ser mantido em ordem, seguindo a manutenção preconizada pela fabricante do automóvel.