Tira-dúvidas: consumo de óleo e freios ABS

Motorpress
Da Redação, em São Paulo (SP)
16/01/2017 10:00

Todo mês na revista CARRO o consultor técnico Bob Sharp responde às dúvidas dos leitores sobre tudo que cerca o universo do automóvel. Veja abaixo uma seleção delas:

Reduzir marcha ajuda o ABS a parar o carro?

Dúvida: Sou motorista ainda novo, só recebi minha CNH definitiva recentemente, e tenho uma dúvida: posso confiar no sistema de freios ABS como a melhor maneira de fazer o carro perder velocidade ou parar? Ajuda reduzir marcha numa parada de emergência?
Cyrillo Simonetti (Ponta Grossa, PR)

RESPOSTA: Não só pode como deve confiar. Mas é importante manter pressão total no pedal de freio ao sentir ou ouvir um ruído tipo vibração quando o freio for aplicado, pois isso indica que o ABS está atuando, isto é, está evitando que as rodas travem. É muito comum as pessoas se assustarem com essa vibração e instintivamente aliviarem a pressão no pedal, o que acaba aumentando a distância que o carro vai percorrer para diminuir a velocidade ou parar. É para isso que muitos carros têm hoje a assistência à frenagem (BAS, brake assist), em que a velocidade de acionamento do pedal de freio é interpretada como emergência, com a qual a pressão nas linhas hidráulicas aumenta automaticamente. Quanto a reduzir marcha para melhorar a frenagem, é totalmente inócuo, uma vez que a potência dos freios é bem maior que a do motor para esse papel. Inclusive, até pode atrapalhar o trabalho do ABS. Portanto, evite reduzir para essa finalidade.

Deixar de acionar a seta fere artigo 35 do CTB

Dúvida: Amigos me dizem que estão sendo multados por não acionar a seta ao mudar de faixa. Sei que é obrigatório pelo Código de Trânsito, mas não estaria havendo exagero, coisa de "indústria da multa"?
Carlos Eduardo Ribeiro (São Paulo, SP) 

RESPOSTA: Ninguém tem dúvida, é obrigatório, é o que diz o Art. 35 do Código, e não fazê-lo é infração grave, com multa de R$ 195,23 e 5 pontos na CNH, (Art. 196). Pode eventualmente se tratar de exagero do agente de trânsito, pois dar seta nesse caso só tem uma finalidade, avisar outros motoristas da intenção de mudar de faixa. Se ao tencionar fazê-lo a consulta ao tráfego à retaguarda ou próximo indicar não haver veículo próximo, dar seta é um exagero. Mas, como se diz, a lei é dura, mas é a lei, então é bom todos tratarem de dar seta mesmo sem necessidade.

Não existe padrão para medir o consumo de óleo do motor

Dúvida: Um amigo tem um Gol 1.0 2015 com 10.000 km e diz que o carro está gastando muito óleo, meio litro a cada 1.000 km. Na concessionária, porém, disseram que esse consumo é considerado normal. Está certo isso?
Rubens Junqueira (Belo Horizonte, MG) 

RESPOSTA: De fato, as fabricantes estabelecem um consumo de óleo máximo para seus motores. Mas ao contrário do consumo de combustível, não existe um padrão de medição do consumo de óleo — que todo motor tem — e cada fabricante tem o seu, daí informarem esse limite por 1.000 quilômetros rodados, no caso da VW. Quanto um motor consome de óleo depende da alguns fatores, como tipo de uso do veículo (estrada em alta velocidade consome mais), maneira de dirigir (esticar marchas com frequência), qualidade do óleo. O motor do carro do seu amigo pode ser considerado novo, e a tendência é ir consumindo menos óleo à medida que o motor for assentando, e não mais.

Dúdiva: Tenho uma curiosidade. Sei que a velocidade máxima permitida nas estradas no Brasil são 120 km/h, mas, se fosse livre, como nas autoestradas alemãs, os carros poderiam trafegar à velocidade máxima durante horas sem risco de danos ao motor?
Cleber Araújo (Santos, SP) 

RESPOSTA: Sim, seria possível e nada de errado aconteceria com o motor, já que esse tipo de uso está previsto há décadas, e não há o que temer. Existe uma falsa presunção que isso seria prejudicial ao motor, que abreviaria sua vida útil ou mesmo o levaria a se avariar. O estado da arte da metalurgia e da usinagem, combinado com os excelentes óleos lubrificantes de hoje, permitem essa assertiva.