Testamos o insano RS 5 DTM em pista na Alemanha

CLAUS MÜHLBERGER
Da Auto Motor und Sport, com WILSON TOUM
08/10/2016 14:10

Para quem acompanha uma partida de futebol no conforto do sofá de casa, uma chance clara de gol perdida é sempre seguida de pesadas críticas: "Esse até a minha avó faria!" A mesma coisa ocorre no automobilismo, não importando se a prova é de Fórmula 1 ou do DTM (Deutsche Tourenwagen Masters, a Copa Alemã de Tursimo). "Que barbeiro!" ou "Acelera, cara!" são reações comuns.

Audi RS5 DTM é a fera alemã da competição

Mas é fato que as transmissões atuais (pela TV ou internet), com imagens incríveis do interior dos cockpits – seja F1, em Le Mans ou no DTM – proporcionam uma maior impressão de que controlar esses carros é uma tarefa acessível a qualquer um. Sem falar nos videogames, que também contribuem para isso, já que, após algumas horas, até o mais franzino garoto consegue obter resultados incríveis a bordo dos carros mais potentes e nas pistas mais difíceis.

Como nos F1, aerofólio do RS 5 DTM é móvel, facilitando ultrapassagens

Mas é claro que a realidade é muito diferente do mundo virtual. Por mais incríveis que sejam as imagens, a televisão e o games não conseguem transmitir a sensação de aperto no banco, a força da aceleração lateral nas curvas, o calor no cockpit, o barulho por vezes irritante, a força exigida para frear ou, principalmente, o estresse. Para tentar passar a você como é tudo isso, decidimos realizar esta reportagem a partir da cabine de um Audi RS 5 DTM. 

O local escolhido para isso não poderia ser mais emblemático: Norisring, circuito de rua considerado a joia da coroa do DTM, o mais exigente tecnicamente, montado em torno de arquibancadas de pedra construídas na época em que o partido nazista realizava suas exibições na cidade. 

Equipe providenciou identificação do repórter no RS 5 DTM

Agora, uma vez por ano o estacionamento do parque de Nüremberg se transforma em uma pista com desenho aparentemente ridículo, de tão simples: duas curvas fechadas (grampos), um S de média velocidade, duas curvas de alta e outras duas retas. Mas, apesar disso, em nenhum outro circuito do DTM se veem tantos espectadores e o ambiente, obviamente, é incrível. Fanáticos, famílias inteiras e, claro, muitas crianças contribuem para criar um clima inigualável.

Entrar e sair do carro não é tarefa fácil

Apesar do traçado simples e da extensão relativamente curta (2,3 km), Norisring tem suas armadilhas: algumas áreas de escape são repletas de brita, o que nem sempre permite o retorno no caso de saída de pista. Em outros, a parede está bem próxima. Sem falar nas irregularidades do piso inerentes a um circuito de rua. "Quem reclama de ondulações precisa vir aqui para saber o que são ondulações de verdade", diz o sueco bicampeão da categoria, Mattias Ekström. 

Hoje, o piloto da equipe Audi Sport Team Abt Sportsline atua como meu instrutor, cumprindo o papel que normalmente é realizado por Wolfgang Ullrichh, diretor técnico da Audi. Estou a bordo de um protótipo que custa cerca de um milhão de euros, prestes a acelerar pelo traçado mais desafiador do DTM. É pressão suficiente? 

Bicampeão Mattis Ekström passa as últimas instruções antes do teste

Em relação ao modelo de rua, o carro de corrida se difere essencialmente por ter carroceria modificada, ligeiramente menor, por conta da ausência de outros bancos, e dotado de tanque de combustível maior, para 120 litros. Ainda existe o DRS, aerofólio móvel (como o da F1), acionado por um botão, capaz de proporcionar até 8 km/h a mais de velocidade máxima. O banco é apertado – claro, não foi feito para o meu físico mais "avantajado" – mas o espaço para a cabeça é bom. A posição de dirigir é perfeita, mas o calor intenso me faz suar em bicas.

Volante possui o alerta "FIQUE LONGE DAS GUIAS"

Então, finalmente me dão o sinal de ligar o motor. Mas, para minha decepção, o ronco não é poderoso e brutal como imaginava. Em vez disso, surge um som mais abafado dos escapamentos.  Arranco e outra surpresa surge: o Audi RS 5 DTM é fácil de conduzir, nem foi preciso patinar embreagem, como imaginei.

Em movimento, o que impressiona é a direção. Basta um quarto de volta no volante para contornar até os grampos de Norisring. Além disso, a assistência é muito leve e eficaz. O mesmo não pode ser dito dos freios, que exigem uma combinação de força e sensibilidade para serem acionados (O ABS é proibido). 

Repórter provou que domar um RS 5 DTM não é missão fácil

No fim de minha experiência, sinto o corpo dolorido pelo esforço e estresse provocados por ela e a certeza de que nunca mais voltarei a criticar um piloto pela TV.