Opinião: o câmbio automático veio para ficar

BOB SHARP
Da Motorpress, em São Paulo (SP)
10/09/2016 14:00

Agora não existe mais dúvida: o câmbio manual tende a desaparecer, e, por incrível que pareça, primeiro no Brasil. O mais intrigante é que na terra dos carros automáticos, os Estados Unidos, a caixa manual vai conquistando os consumidores. Aos poucos, mas vai.

Estados Unidos é a terra dos automáticos - por enquanto...
Nota-se por toda parte que o brasileiro aspira ter um carro sem pedal de embreagem. Tem quase um ar de fenômeno, já que isso se deu num intervalo de tempo muito pequeno, pouco mais de dez anos.

Outro motivo para a atratividade dos automáticos é que se antes eles eram sinônimo de problemas e de manutenção complicada e cara, hoje são conjuntos robustos que não aborrecem mais. Tampouco câmbio automático significa consumir muito mais combustível, estão mesmo bem mais eficientes do que há 15 ou 20 anos.

Tudo isso reflete-se no mercado. A maior depreciação dos carros de câmbio automático passou aos manuais. Desse modo, formou-se um círculo virtuoso que favorece o automático.

PowerShift, de dupla embreagemHá muitos casos de carros oferecidos apenas com câmbio automático. Importados, pode-se afirmar que 100%. Entre os nacionais, um bom exemplo é o Ford Focus 2.0, e o recente New Fiesta com o motor 1.0 de 3 cilindros EcoBoost.

Raros são os importados apenas manuais, como o Citroën DS3 e o Honda Civic Si. O "esportivado" Renault Sandero R.S. só existe com câmbio manual de seis marchas, decisão correta por se tratar de um carro de alto desempenho.

Só subcompactos de motor 1-litro de aspiração natural como VW up!, Hyundai HB20 e Ford Ka defendem a posição do câmbio manual, embora este VW seja o único a oferecer a caixa I-Motion associada ao motor de 1 litro.

Considera-se nesse panorama dois tipos de carro classificados de acordo com o câmbio, os que têm pedal de embreagem e os que não têm, pois há quatro espécies de caixa em que as trocas são feitas automaticamente: os robotizados de uma embreagem, os de duas embreagens, o automático dito "convencional" e o CVT, sigla de transmissão continuamente variável, utilizado nos Honda Fit e HR-V e bem recentemente oferecido para a dupla Nissan March/Versa.

Cada um tem suas particularidades de operação e funcionamento, mas seu denominador comum é livrar o ou a motorista do trabalho de precisar acionar o pedal de embreagem e trocar as marchas manualmente.

Há controvérsia e discussão sobre qual tipo de automático seria o melhor, inclusive muita crítica aos robotizados de uma embreagem, devido tanto a serem novidade relativamente recente, quanto a terem um comportamento de troca de marcha diferente, mas nada que seja insuportável, além de terem evoluído muito nesse aspecto.

Corte da caixa de câmbio CVT XTronic da Nissan
Os robotizados de duas embreagens são muito apreciados, embora o produto da Ford, chamado PowerShift, tenha apresentado problemas nas embreagens, o qual já foi resolvido. O CVT é do tipo "ame-o ou odeie-o", muitos não gostam da sensação de motor fora de sintonia com o câmbio, enquanto outros simplesmente adoram a aceleração sem haver a costumeira troca de marcha.

O único que passa ao largo de qualquer crítica é justamente o que está há 76 anos entre nós, o tipo convencional. Mas quem resolveu abandonar o pedal de embreagem não se arrependerá de ter no seu carro qualquer um desses quatro tipos de câmbio.