Opinião: em tempos de crise, fuja do marketing

LEANDRO MATTERA
Consultor automotivo pessoal na carroedinheiro.com.br
24/02/2017 10:16

O brasileiro já foi considerado como o recordista mundial quando o assunto é mudar de carro em pouco tempo. Embora curioso, esse cenário é alarmante quando lembramos que os carros à venda no país estão entre os mais caros do mundo. Apenas analisando os impactos da depreciação, é evidente que esse comportamento não se baseia nos princípios da educação financeira. 

Isso sem contar outros reflexos no bolso, como o IPVA mais caro aplicado a carros 0 km, gastos com a burocracia, diferença no preço do seguro, tempo nas negociações, entre outros. Mas, deixando de lado as questões envolvendo o dinheiro, vamos focar nos veículos. 

Consumidor deve se prezar pela compra consciente

Nesse ponto, é essencial enfatizar que a troca de um carro somente faz sentido se há vantagens e benefícios relevantes. Afinal, por que vale a pena investir dinheiro, tempo e energia na aquisição de um bem semelhante (ou até inferior)? A resposta muitas vezes esbarra na questão do status do “carro do ano”, mesmo que se trate de um modelo cuja geração está no mercado há décadas ou que mantenha motor ou plataforma dos anos 1980.

Além disso, é necessário fazer uma comparação entre o seu carro atual e aquele que você pretende comprar (indicado principalmente para quem gosta de trocar o automóvel a cada dois anos ou quando quita o financiamento anterior).

Pessoalmente, já acompanhei alguns casos bizarros, de proprietários que se desfizeram de carros bem conservados e pouco rodados para trocar por um 0 km do mesmo modelo. Pior: em algumas situações, a mudança envolveu apenas a cor. Isso não faz nenhum sentido!

O mesmo raciocínio se aplica a automóveis que passam apenas por facelifts, sem receber modificações mais importantes ou ganhar equipamentos que possam fazer alguma diferença.

Como referência, alguns dos principais itens que merecem atenção na hora do comparativo envolvem a idade do projeto do carro pretendido (especialmente em relação à plataforma, motor e câmbio), itens de segurança, resultado em testes de impacto promovido por entidades de segurança, desempenho, consumo, conforto, conectividade e equipamentos de série. 
No sentido oposto, também levando em conta a situação econômica do país, há casos de pessoas que precisam trocar de veículo em busca de modelos mais simples e econômicos. Nesse caso, a análise também deve ser criteriosa na busca por opções que ofereçam o máximo em termos de custo-benefício. 

Diante desse panorama, percebe-se como a postura consciente dos consumidores pode fazer uma grande diferença na hora de trocar de carro. Se a busca é por um sonho que custa muito caro, é importante que o novo veículo represente um avanço real, e não seja somente fruto do marketing da fabricante. O seu bolso vai agradecer bastante, pode ter certeza.