Novo EcoSport mostra que Brasil ficou para trás

CLAUDIO DE SOUZA FLORENCIO
Da Motorpress, em Detroit (EUA)
13/01/2017 11:24

A aparição do EcoSport no Salão de Detroit, nos Estados Unidos, é o início de um drama inédito para o modelo, lançado em 2003 e fruto de um projeto brasileiro.

O EcoSport é novidade aqui nos EUA. Ele simplesmente não existia até aparecer em Detroit. Agora, vai funcionar como o SUV de entrada da Ford no mercado local, abaixo de Escape e Explorer. Seu maior rival é o Chevrolet Trax (Tracker no Brasil).

Ford EcoSport: 100% novidade apenas para os EUA
O Eco conforme mostrado em Detroit chega ao Brasil no final do primeiro semestre. Do modelo americano, vai trazer apenas a dianteira renovada -- ficou mais robusta, com faróis aumentados e grade única. Mas o novo EcoSport brasileiro manterá o estepe fixado à porta traseira em todas as versões.

Quem se deu ao trabalho de fuçar nas três unidades do Eco expostas no Salão de Detroit notou que, sob a base do porta-malas, não há estepe, apenas um kit de reparo -- recurso que a legislação brasileira não permite. Assim, o espaço para bagagem não é prejudicado.

Conjunto de grade dianteira e faróis ficou mais robusto
Se eliminasse o estepe externo no Brasil, a Ford teria de diminuir o espaço útil do porta-malas (que já é pequeno) para acomodar roda e pneu; ou apelar para alguma outra solução (debaixo do assoalho, como no antigo Ka). A solução mais fácil, obviamente, é manter tudo como está -- como já tem sido visto nos flagras do EcoSport no Brasil.

Outras novidades previstas para o EcoSport nacional são a adoção do motor Dragon 1.5 de três cilindros, que começa a substituir a atual família Sigma, e de um câmbio automático de seis marchas convencional, com conversor de torque, em vez do Powershift de dupla embreagem -- estigmatizado por um mau funcionamento que atingiu dezenas de milhares de modelos Ford no país.

Sim, fica muito melhor sem o estepe externo
SUPERADO
O que há de dramático nisso tudo é que o EcoSport perdeu o timing no Brasil. A renovação visual e de alguns itens técnicos do modelo, cuja segunda geração foi lançada em 2012, já deveria ter começado há tempos -- pelo cronograma habitual das montadoras, em meados de 2015, ou -- no máximo -- em 2016.

Com isso, vendeu 28.105 unidades no ano passado e foi ultrapassado por novatos como Honda HR-V (55.758 emplacamentos) e Jeep Renegade (51.563), e logo estará sentindo a força de novos players, como Nissan Kicks, Hyundai Creta e Tracker. Todos surgiram durante a hibernação do atual Eco.

Câmbio será automático com conversor; tela grande pode ser opcional
O mau desempenho do jipinho pioneiro reflete-se na queda da Ford no ranking de montadoras no Brasil: se em 2014 ela ainda se segurou no quarto lugar e garantiu a permanência entre as "quatro grandes", em 2015 caiu para sexto, e lá ficou no ano passado. 

Também é importante notar o provável descompasso que virá depois do lançamento do Eco americano. Afinal, o nacional vai seguir o cronograma dele? Se a resposta for positiva, uma eventual terceira geração do modelo só viria ao Brasil quando fosse lançada a segunda nos EUA. E isso pode ficar para 2023 (considerando um ciclo de seis anos, já bem curto).

Uma pista é o que a Ford do Brasil fará com a nova geração do Fiesta, que surgirá este ano num dos salões europeus -- talvez um teaser em Genebra (março), mas certamente como carro de produção em Frankfurt (setembro).

Se a promessa da filosofia One Ford era de trazer ao Brasil os produtos globais da marca em até 18 meses, já há o rumor de que essa nova geração simplesmente não virá ao país. Ficaremos com facelift e algumas alterações mecânicas.

Viagem a convite da General Motors