Em Paris, nova ordem é mostrar carros realistas

WILSON TOUME
Da Motorpress, em Paris (França)
30/09/2016 17:40
HYUNDAI I30
HONDA CIVIC TYPE R PROTOTYPE
VOLKSWAGEN ID (CONCEITO)
MERCEDES-AMG GT C
VISION MERCEDES-MAYBACH 6
RENAULT TREZOR (CONCEITO)
SSANGYONG LIV-2
MERCEDES-BENZ GENERATION EQ (CONCEITO)
RENAULT KOLEOS
HYUNDAI RN30
MITSUBISHI GT PHEV CONCEPT
MITSUBISHI EX CONCEPT
AUDI RS7 CONCEPT
TOYOTA CH-R
SEAT ATECA X-PERIENCE
TOYOTA FCV PLUS
MITSUBISHI OUTLANDER PHEV
SKODA KODIAQ
LAFERRARI APERTA
NISSAN MICRA (MARCH)
KIA RIO
BMW X2 CONCEPT
AUDI RS 3 SEDAN
AUDI A5 SPORTBACK
AUDI Q5
MASERATI GHIBLI
MASERATI QUATTROPORTE
CITROËN CXPERIENCE
PEUGEOT 3008
PEUGEOT 3008 GT
INFINITI QX INSPIRATION
SUZUKI IGNIS
DACIA/RENAULT DUSTER
CITROËN C3 (3ª GERAÇÃO)
FERRARI GTC4LUSSO T
FERRARI 488 SPIDER "THE GREEN JEWELL"
FERRARI 488 GTB "THE SCHUMACHER"
FERRARI F12 BERLINETTA "THE STIRLING"
LAND ROVER DISCOVERY

Já houve um tempo -- e nem faz tanto tempo assim -- em que os salões de automóvel pelo mundo eram vistos como vitrines tecnológicas e de ostentação para as fabricantes exibirem não só o que têm de mais sofisticado e avançado em seus portfólios, mas também carros-conceito que dificilmente se tornariam realidade, ou mesmo que teriam apenas itens aproveitados em veículos de produção em série.

Efeitos especiais na apresentação da Audi em Paris
Isso, porém, parece cada vez mais ter se tornado história. É o que se constata ao visitar o Mondial de L'Automobile, mais conhecido como Salão de Paris, um dos eventos automotivos mais importantes do mundo ao lado do Salão de Frankfurt (Alemanha) e que abriu suas portas à imprensa especializada nesta quinta-feira (29).

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Em vez de modelos futuristas com aparência irreal ou de automóveis requintados, o que chama a atenção na edição deste ano do evento é a quantidade de veículos "reais" e acessíveis. No estande da Volkswagen, por exemplo, a atração foi o conceito batizado de ID, que estreia a nova plataforma de elétricos do grupo.

Volks ID promete autonomia de 600 km com uma carga
De acordo com a empresa, esse veículo terá grande autonomia (podendo atingir 600 km), recarga muito rápida -- em aproximadamente meia hora, as baterias terão cerca de 85% de sua capacidade -- e será acessível. A intenção é que ele esteja à venda em 2020 pelo mesmo preço de um Golf a diesel atual. O visual do ID, aliás, lembra muito o do hatch campeão de vendas da marca, sem grandes firulas ou soluções futuristas.

Outra novidade, ainda exibida como conceito, foi o e-Golf Touch. Apesar do nome, a versão elétrica tem na central multimídia a sua principal novidade: ela é acionada por comando de gestos, uma aposta da marca em termos de conectividade. A Volkswagen não exibiu nenhuma atração prevista para chegar ao mercado brasileiro, mas o subcompacto up! com dianteira e interior reestilizados, já à venda no Velho Continente, é uma aposta que pode desembarcar em breve no país. 

Ainda entre os compactos, a Nissan exibiu a nova geração do March (Micra aqui na Europa), que ganhou visual muito mais jovem e ousado, em nada lembrando o do antecessor. Se a marca japonesa investir nessa remodelação para o mercado nacional, a tendência é de que o perfil de seus consumidores mude radicalmente, assim como o estilo do carro, que deixou o aspecto "simples e simpático" para apostar na esportividade. De maneira geral, a reação de quem viu o March de perto foi bastante positiva.

March (Micra na Europa) chega a nova geração totalmente mudado

A outra empresa da aliança franco-japonesa, a Renault, mostrou pela primeira vez na Europa a sua futura picape Alaskan, que será produzida em parceira com a Nissan e a Mercedes-Benz e que vai chegar ao mercado brasileiro em 2018, importada da Argentina. Já o Mégane Sedan, que retornou ao catálogo da empresa e substituirá o Fluence em alguns mercados, não tem previsão de ser vendido em nosso país. Em compensação, o SUV grande Koleos (cuja avaliação você já conferiu aqui) foi exibido e chamou a atenção dos jornalistas.

A notícia não muito agradável veio por parte da Citroën, cujos executivos garantem que a terceira geração do C3, exibido pela primeira vez em público, não será oferecido no Brasil. Com estilo totalmente distinto do atual e visual mais "masculino", o compacto manteve a base e conjuntos mecânicos da geração anterior. Mesmo assim, a Citroën do Brasil vai adotar outra estratégia comercial, "apostando na evolução de seus produtos e na adaptação para o gosto dos consumidores brasileiros", segundo uma fonte ligada à empresa. Sobre o C4 Cactus, até o momento não há confirmação a respeito de seu futuro no Brasil.

Citroën C3: terceira geração não tem data para chegar ao Brasil

Mas, se a marca do duplo chevron mostrou-se tímida, a Peugeot (que também faz parte do grupo PSA) foi bastante ousada em Paris e exibiu a nova geração do 3008 (agora muito mais próximo de um SUV do que antes), com o quadro de instrumentos i-Cockpit totalmente digital e customizável como grande atração. Já o 5008, que até então era visto como uma minivan familiar, mudou completamente de personalidade, passando a se exibir como um autêntico SUV, o "irmão maior" do 3008. Mas, se o primeiro tem tudo para chegar ao Brasil no ano que vem (sendo, possivelmente, uma das atrações do próximo Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro), o segundo está totalmente descartado,

Como não poderia deixar de ser, o estande da Ferrari é um dos mais visitados no Paris Expo, o centro de convenções ao sul de Paris que sedia o salão. E, para celebrar seus 70 anos (que serão completados em 2017), a marca de Maranello apresentou quatro séries especiais baseadas em modelos já existentes.

Ferrari 488 Spider "The Green Jewel", uma das homenagens vistas no salão
São elas a F12 berlinetta "The Stirling", inspirada na 250GT Berlinetta SWB, vencedora do Tourist Trophy de 1961 com Sir Stirling Moss ao volante; a 488 GTB "The Schumacher", homenagem à F2003 GA de F1 com a qual o alemão Michael Schumacher e a Ferrari venceram o Mundial de Pilotos e o de Construtores em 2003; a California T "The Steve McQueen", inspirada na 250 GT Berlinetta Lusso de 1963, considerada uma das mais belas máquinas de Maranello já construídas; e a 488 Spider "The Green Jewel", cuja cor homenageia o time do britânico David Piper, um conhecido piloto privado que levou a sua Ferrari à vitória nas Nove Horas de Kyalami em 1965 e 1966.

A principal estrela, porém, foi a GTC4LussoT, o primeiro modelo de quatro lugares da casa italiana com motor V8 turbo. De acordo com a Ferrari, seu motor 3.9 entrega 610 cv e 77,5 kgfm. Com relação peso-potência de 158 cv/litro, é o maior da categoria e pode levar o modelo a mais de 320 km/h e a acelerar de 0 a 100 km/h em 3s5. Também se destacou a versão conversível da LaFerrari, apelidada de Aperta ("aberta" em italiano) e já esgotada. 

REALIDADE E FUTURO ELÉTRICO
Um tema que chamou a atenção nas apresentações no primeiro dia dedicado à imprensa no Salão de Paris foi a disputa para ver quem oferece a maior autonomia para seus carros elétricos. E, nessa guerra, a Renault saiu na frente com seu compacto Zoe, que já é capaz de rodar até 400 km sem necessidade de recarregar.

Chefão da Daimler apresenta o elétrico Mercedes EQ
Outras marcas, como a Mercedes-Benz, que exibiu o conceito EQ, prometem superar essa marca alcançando 500 km com um modelo maior e mais espaçoso -- mas que, por enquanto, é apenas conceitual. Da mesma forma, a Volkswagen com o já citado ID (até 600 km).

O presidente da VW do Brasil, David Powels, está em Paris e durante uma rápida conversa disse que vê o Brasil como um importante mercado para a estratégia do grupo (que pretende atingir o seu primeiro milhão de veículos elétricos vendidos no mundo em 2025), mas com uma participação modesta em relação à China, Europa e Estados Unidos. Questionado sobre a chegada do Golf elétrico ao mercado nacional, Powels afirmou que, se o mercado quiser, a fabricante pode colocá-lo à venda.

Viagem a convite da Anfavea