Chery vai trocar Tiggo por Tigguinho e Tiggão em 2016

CLAUDIO LUÍS DE SOUZA
Da Redação, em São Paulo (SP)
11/12/2015 20:01

A fabricante chinesa Chery sentiu o peso da crise econômico-política que paralisa o Brasil: não vai chegar a 6 mil carros emplacados este ano, segundo o que se pode projetar dos números da Fenabrave/Renavam apurados até o final de novembro (5.054 vendas). Ainda assim, é a marca chinesa que mais vende carros de passeio (inclusive SUVs) e comerciais leves no Brasil -- e isso sem oferecer modelos nesta segunda categoria.

Só que este foi o ano de início da produção de modelos Chery na fábrica de Jacareí (SP), a primeira unidade de uma marca chinesa no Brasil. O resultado deveria, ou poderia, ser melhor?

Tiggo 5 já com o facelift recebido em outubro na China
A resposta ficou para 2016, ano visto com relativo otimismo por Luís Curi, chefe da operação brasileira da Chery. A expectativa é de vender cerca de 8.000 carros no Brasil e exportar ao Mercosul entre 1.000 e 2.000. Esse aparente "espetáculo do crescimento" de quase 100% na produção local vai se dever, fundamentalmente, a novos produtos.

"O segmento dos SUVs é o único que vem crescendo no Brasil, e vamos aumentar nossa atuação nele", disse Curi a jornalistas nesta sexta-feira (11), num evento de fim de ano em São Paulo. Dois modelos vão cumprir esse papel: um jipinho urbano compacto ainda não revelado, que na China vai se chamar Tiggo 1, e um jipão maior que o atual Tiggo, batizado de Tiggo 5 no mercado chinês, onde foi lançado em 2014 oferecendo fileira extra de assentos como opcional (sete lugares).

Tiggo à venda no Brasil: corram, que em 2016 ele some
Ambos serão fabricados em Jacareí e vão aposentar o atual Tiggo, que corresponde ao Tiggo 3 chinês e, em termos de tamanho, está no meio do caminho entre Tigguinho e Tiggão.

O APELO É NO BOLSO
"Os concessionários têm mais margem para trabalhar com esse tipo de carro: eles precisam vender três QQs para ganhar o mesmo que com um único Tiggo", explicou Curi. A aposta é no preço dos futuros modelos quando comparados aos equivalentes de marcas mais estabelecidas. "Honda e Jeep têm tradição e a mística da marca, mas nós teremos preço", disse o executivo. "Queremos vender para aquele cliente interessado em HR-V e Renegade, mas que ainda não pode chegar lá financeiramente".

Em outras palavras, a Chery reconhece e respeita o sucesso do Lifan X60, SUV chinês mais vendido no Brasil, mas quer ter como paradigma carros de maior qualidade. Atualmente, oferece quatro modelos no país: o subcompacto QQ, Celer hatch e sedã (com e sem facelift) e o Tiggo. Os preços vão de R$ 31.290 a R$ 59.990.