Anfavea não prevê fase 2 do Inovar-Auto

RODRIGO RIBEIRO
Da Motorpress, Em São Paulo (SP)
07/12/2016 11:30

Se depender da Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores), o programa Inovar-Auto, que termina em 2017, não terá uma segunda fase. "Ao invés disso, iremos negociar com o governo uma política industrial mais ampla, que, inclusive, favoreça o enfraquecido segmento de autopeças", disse à CARRO Antonio Megale, presidente da entidade.

A declaração foi dada nesta terça (6), durante a divulgação do balanço do mercado automotivo de novembro. Os números, aliás, tiveram uma leve alta em relação a outubro, apesar da grande queda acumulada. Em comparação ao mês passado a produção subiu 22,4%, e os licenciamentos, 12%. Já a retração em relação a 2015 foi de -14,6% e -21,2%, respectivamente.

Megale atribuiu a melhora nos índices de produção à retomada de parte das linhas da Volkswagen, paralizadas após uma crise com os fornecedores do grupo Keiper. Já a melhora nas vendas é considerada sazonal e deve se repetir em dezembro, "dois meses tradicionalmente fortes", segundo o executivo.

Produção caiu 21,2% em novembro, comparado ao ano passado
Na última coletiva de imprensa do ano, a Anfavea manteve as previsões para este ano, com uma queda de 5,5% nos licenciamentos e melhora de 21,5% nas exportações. Apenas a produção, prevista para cair 19%, deve ultrapassar os 21% de queda - novamente por conta da Volkswagen, segundo o Megale.

FUTURO INCERTO
A entidade não falou em números para 2017, mas a expectativa é de crescimento "de um dígito". Mesmo com a queda dos presidentes da república, câmara dos deputados e senado, a entidade crê na estabilidade política para aumentar suas vendas.

Megale reforçou a crítica à falta de previsibilidade dos programas governamentais (encabeçados pelo Inovar-Auto) e comentou sobre a recente condenação do Brasil na OMC (Organização Mundial do Comércil). O processo, movido pelo Japão e União Europeia, critica os incentivos fiscais e outros métodos protecionistas da União e que são base para o Inovar-Auto.

"A nova política industrial que iremos discutir ficará atenta às restrições impostas pela OMC. Áreas como pesquisa e desenvolvimento não devem ser afetadas, mas ainda iremos aguardar a conclusão do processo [pois ainda cabe recurso do Brasil]".