Teste: Range Rover Evoque conversível

GUSTAVO DE SÁ
de São Paulo (SP)
25/08/2017 16:21

Os conversíveis são, na maioria das vezes, derivações de carros que já existem, com base em carrocerias hatch, cupê ou sedã. A sensação de liberdade proporcionada pela possibilidade de andar ‘sem teto’ adiciona um tempero especial a esse tipo de variante. A Land Rover percebeu que havia um nicho pouquíssimo explorado dentro do segmento de SUVs de luxo e decidiu inovar: removeu o teto do Range Rover Evoque e criou um 4X4 conversível.

A aposta deu certo. A tal sensação de liberdade dos conversíveis foi reforçada pelos atributos oriundos do mundo dos SUV, como posição de dirigir elevada, porte superior e versatilidade. Mas a transformação do Evoque em um modelo com capota retrátil não foi simples. Os engenheiros da marca trabalharam para manter os mesmos níveis de rigidez estrutural e aptidão para o fora de estrada do modelo convencional.

Com a capota abaixada, Evoque não passa despercebido por ruas e estradas

Para isso, foram aplicados reforços com aços de alta resistência em algumas partes do veículo, como o arco do para brisa (uma vez que o carro não possui a coluna B). Com isso, o Evoque conversível ganhou um peso extra de 281 kg em comparação às demais versões.

 O acionamento da capota é feito por meio de um botão localizado no console central. A ação pode ser realizada com o veículo em movimento, em velocidades de até 48 km/h. Para retrair o teto, são necessários somente 18 segundos (e 21 para fechá-lo).

Tom laranja da carroceria deixa o conversível ainda mais chamativo

Ímã de sorrisos

Dirigir o Evoque conversível é uma experiência única. A combinação do teto recolhido, rodas aro 20 na cor preta e carroceria pintada em um nada discreto tom laranja fazem dele um ímã de olhares. Na cidade, a cada cruzamento o condutor do Evoque é recebido com sorrisos e acenos de aprovação de pedestres, motociclistas e demais motoristas.

Evoque conversível pode transportar até 4 pessoas

E não são somente as reações do ambiente externo que deixam o motorista, digamos, com um sorriso no canto da boca. O interior tem acabamento primoroso, com arremates em couro de alta qualidade por todos os cantos da cabine. Os bancos possuem 12 ajustes elétricos e opção de memorizar até três posições diferentes.

O motor 2.0 Si4 e a transmissão automática de 9 marchas são os mesmos que equipam o restante da linha. Com a ajuda de um turbocompressor, o propulsor entrega 240 cv a 5.800 rpm e 34,6 kgfm de torque a baixíssimas 1.750 rpm. Com isso, o SUV responde de prontidão ao mais leve toque no acelerador.

Luxuoso, interior tem arremates em couro por todos os cantos

Em rodovias, impressiona o baixíssimo nível de ruído interno. A 120 km/h, o conta-giros aponta somente 1.900 rpm. Também contribuem para o silêncio a bordo o bom trabalho feito pela Land Rover no isolamento acústico: com a capota fechada, a sensação é a mesma de rodar com a versão de teto rígido.

Processo de fechamento da capota leva 21 segundos

A suspensão – independente nos dois eixos – absorve bem as imperfeições do solo, garantindo o conforto dos ocupantes da cabine. Apesar da altura elevada e do tamanho avantajado da carroceria (4,37 metros de comprimento e 2,08 de largura), o Evoque é um carro na mão, que permite mudanças rápidas de faixa, sem provocar sustos.

Linha de cintura alta deixa Evoque com visual incomum para um conversível

Assim como outros modelos da linha Range Rover, o Evoque é equipado com o Terrain Response. Esse sistema altera as respostas do motor, transmissão, diferenciais e dos sistemas do chassi para adaptar a tração a cada tipo de solo. São, ao todo, quatro opções de ajustes: geral, grama/cascalho, lama/buracos, e neve.

Motor 2.0 turbo produz 240 cv de potência e 34,6 kgfm de torque

Em nossa pista de testes, como esperado pelo aumento de peso, o Evoque conversível apresentou desempenho ligeiramente inferior em comparação ao modelo HSE Dynamic com teto rígido, testado anteriormente pela CARRO. Na aceleração 0 a 100 km/h, o conversível cumpriu a prova em 8s7, tempo 0s8 maior que a versão convencional. As retomadas foram mais parelhas entre os dois modelos, com diferença máxima de 0s5 em favor da versão convencional na prova de 60 a 120 km/h (8s7 no conversível e 8s2 no cinco portas).

Com o fim das vendas da versão Coupé no Brasil, conversível é único Evoque duas portas

Em consumo, ambos anotaram a mesma marca ao rodar na cidade: 7,2 km/l. Já na estrada, o conversível registrou 11,4 km/l, ante 12,9 km/l do modelo com teto rígido.

Custo-diversão

O Evoque conversível custa R$ 292.500 e traz de série cinco airbags (dois frontais, dois laterais e um de joelhos para o motorista), central multimídia com tela sensível ao toque de 10,2 polegadas e GPS integrado, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros e faróis de xenônio.

Rodas de liga leve de 20 polegadas têm pintura na cor preta

Se compararmos à versão equivalente com teto rígido, o conversível custa quase R$ 40 mil a mais. Mas a possibilidade de encarar estradas de terra ou qualquer outro tipo de terreno com a capota abaixada é uma diversão que, definitivamente, não tem preço.

Central multimídia possui tela sensível ao toque de 10,2 polegadas

Conclusão:  O Evoque conversível mistura a versatilidade dos SUVs com a sensação de liberdade proporcionada pelo recolhimento da capota. Além disso, ele mantém os atributos da linha Range Rover, como o Terrain Response – o que permite aventuras fora de estrada sem preocupações. Adicione a esses diferenciais o fato de essa versão ter somente 45 unidades importadas para o Brasil e temos o veredicto: apesar do acréscimo de quase R$ 40 mil em relação ao modelo com teto rígido, o Evoque conversível vale para quem busca exclusividade.

 

> Confira a tabela com os números do teste de pista do Evoque Conversível: