Teste – Porsche Cayenne S E-Hybrid

FERNANDO NACCARI
De São Paulo (SP)
06/11/2017 15:20

Quando foi apresentado ao público no início dos anos 2000, o Porsche Cayenne foi um dos carros mais contraditórios da história da Porsche, pois os mais puristas não conseguiam aceitar que a tradicional marca de esportivos de Stuttgart tinha se rendido para a produção de um modelo que não honrava à sua história. Mal eles sabiam que o SUV com cara de sapão seria o responsável por alavancar as vendas da marca e trazer a segurança financeira que a tradicional marca buscava há tempos.

Mas quando falamos em Cayenne, a versão mais equilibrada e, não menos divertida, é com certeza a S E-Hybrid. Mesmo não sendo o carro mais econômico do mundo, é cerca de 70 mil reais “menos cara” que a versão S, modelo da qual a híbrida é derivada, tudo graças a isenção de impostos para modelo híbridos ou elétricos no Brasil.

Bom, voltando a falar do carro, o interior do Cayenne traz um item que honra à história da Porsche: a chave de ignição do lado esquerdo do volante. Caso você ainda não saiba o motivo disso, a inspiração veio das antigas largadas lançadas em Le Mans. Na época, quando os pilotos recebiam a “bandeirada para a largada”, precisava correr até o seu carro (a pé mesmo), pular para dentro dele, dar partida e sair o mais rápido possível. Quem conseguia fazer isso de maneira mais eficaz, ganhava algumas posições na largada. A principal vantagem da chave do lado esquerdo era dar partida no motor com uma mão e engatar a marcha com a outra. Eram segundos significativos.

Saindo um pouco do saudosismo histórico, ao virar a chave... nada acontece. Sim, você só nota que o Cayenne S E-Hybrid está pronto para andar através da luz espiã “Ready” que se acende no painel. De início, quem liga é o motor elétrico de 95 cv e que, com 100% de carga de bateria, pode levar o utilitário rodar até 36 km. Em nossos testes em ciclo urbano e não deixando de lado algumas comodidades, como o ar-condicionado ligado, esta autonomia não foi superior a 20 km.

Quando a bateria chega próximo ao fim, quem assume é o motor 3.0 V6 supercharged de 333 cv a 5.500 rpm e torque de 44,8 kgfm a 3 mil rpm. O motor tem funcionamento suave e um ótimo desempenho quando está em funcionamento, mas quem espera ouvir aquele ronco esportivo, pode se decepcionar um pouco. A autonomia máxima com os motores combinados chega a 936 km, com média de consumo urbano de 11,8 km/l e, no rodoviário, 11,7 km/l.

O motor à combustão também é responsável por carregar as baterias, missão que os freios regenerativos também cumprem. É possível acelerar o processo de recarga com o carro ligado, para isso basta ativar o botão “E-Charge”, que otimiza o uso do motor e das rodas para repor a energia da bateria. Fizemos uma simulação nestas condições e, com os níveis praticamente zerados, atingimos uma recarga de 55% em um trajeto urbano de 20 km. É uma ótima opção para quem não tem uma tomada sempre disponível. Agora, se você quer priorizar o uso da energia limpa, é possível plugar o Cayenne S E-Hibrid na tomada 220V e esperar 8h para verem os marcadores atingirem os 100%. Em ambos os motores, ou quando estão funcionando em conjunto, quem comanda tudo é a eficiente transmissão tiptronic de 8 velocidades.

O Cayenne S E-Hybrid, quando tem o modo de recarga otimizado, passa a ter o pedal do acelerador com dois níveis, sendo o primeiro um limitador de esforços do motor elétrico e, ao atingir a segunda fase do curso, aciona o motor V6 para dar a potência da qual precisa. Para saber como anda seu modo de condução, há um mostrador que indica quando o motor elétrico está atuando na propulsão isolada, na recarga das baterias do veículo ou quando o V6 à combustão está “na ativa”.

Mas vale lembrar que o Cayenne é um autêntico híbrido plugin, ou seja, você pode carregar suas baterias também através da tomada, em um processo que dura até 10 horas em fontes de 220V, o que otimiza a duração das baterias e, também, faz o seu bolso agradecer por visitar menos o posto de gasolina.

Como todo veículo de luxo, a lista de equipamentos de série é ampla, com destaque para o ar-condicionado bizona com opção de diferentes intensidades de ventilação e posição de saída do ar, além da possibilidade de seleção de diferentes modos de condução, como Comfort, Sport e Sport Plus, que deixam o SUV comportado e econômico ou voraz e devorador de curvas, tudo no mesmo carro.

Outro destaque está no sistema de suspensão pneumático adaptativo, que varia automaticamente suas condições de rigidez e altura de acordo com as condições da pista, ou pode ter suas características mudadas manualmente, de acordo com a preferência do condutor, o que deixa sua condução agradável em praticamente todas as condições de pista.

Vale lembrar que o veículo custa R$ 420 mil reais e tem garantia de dois anos, sem limite de quilometragem e 6 anos para as baterias da unidade híbrida. 

Teste em vídeo