Teste: Onix Effect 1.4 é econômico como 1.0

FERNANDO LALLI
de São Paulo (SP)
01/09/2017 13:58

Para quem privilegia o prazer de dirigir e faz questão de câmbio manual, a combinação entre o propulsor 1.4 SPE/4 e a transmissão de seis velocidades do Chevrolet Onix Effect tem tudo para agradar. Os engates do câmbio são curtos e precisos e o escalonamento das marchas aproveita a força do motor da melhor forma possível.

Comportado, Onix Effect é bem equipado e quase tão econômico quanto a versão 1.0

Que fique claro: isso não quer dizer alto desempenho. Com aceleração de 0 a 100 km/h em 10s68, o Onix Effect tem design esportivo, mas está longe de ser um hot hatch. Só que é necessário ressaltar que até a General Motors evita chamar a versão de “esportiva”, reforçando que o apelo é apenas visual.

JOVEM Rodas aro 15’’ são exclusivas desta versão

A fabricante teve a sensibilidade de não utilizar apêndices aerodinâmicos inúteis. Estão lá os spoilers nos dois para-choques, saias laterais, teto e grade frontal pintados em preto, rodas aro 15’’, adesivos remetendo a temas de automobilismo, mas nada escandaloso. O resultado é agradável e melhora a bem-sucedida re-estilização de meia vida apresentada em 2016.

COMPLETO Acabamento em vermelho, forramento dos bancos e sistema multimídia MyLink são de série

Passando de ano
Não há diferenças mecânicas se comparado a outras versões do Onix com o mesmo trem de força. Assim, a suspensão (McPherson na frente e eixo de torção na traseira) continua privilegiando o conforto pelas ruas da cidade, mas é um pouco menos refinada do que concorrentes diretos, como HB20 e Sandero.

O ponto forte do modelo é mesmo o consumo. Nota “A” em eficiência energética pelo Inmetro, o Onix Effect 1.4 também foi bem em nosso teste de pista: com etanol, atingiu 11,2 km/l em percurso rodoviário e 8,7 km/l no urbano. São números quase iguais aos de sua versão 1.0, mesmo sendo 26 cv mais potente e quase 40% mais “torcudo”.

Especialmente em rodovia, o mérito é mais uma vez do câmbio. Trafegando próximo aos 120 km/h (limite máximo das principais autoestradas), basta engatar a sexta marcha e o motor de 106 cv gira tranquilo, abaixo das 3.000 rpm, sem trabalhar desnecessariamente em alta rotação.

Detalhes esportivos são discretos e de bom gosto

Mas a construção interna...
Polêmicas de LatiNCAP à parte, dá para entender por que o Onix é o modelo mais vendido do Brasil atualmente ao analisar a relação custo/benefício de seu conjunto. Na versão Effect, traz direção eletroassistida, volante multifuncional, indicador de troca de marcha, monitoramento da pressão dos pneus, multimídia MyLink, sensor de estacionamento traseiro, faróis com LED e freios ABS com distribuição eletrônica da força de frenagem (EBD). Tudo isso de série.

O espaço interno é satisfatório para o tamanho do modelo. O design do interior é bonito, mas peca na construção do acabamento. As abas de movimentação dos difusores de ar no painel são frágeis e o encaixe de algumas peças – como o painel das portas – não parece justo o suficiente e pode ser fonte de ruídos a médio prazo. Detalhes importante que nem mesmo o líder absoluto da tabela pode se dar ao luxo de desprezar.


Confira nossas medições e a ficha técnica do Chervolet Onix Effect 1.4