Teste: JAC T40 1.5 manual

FERNANDO LALLI
de São Paulo (SP)
23/11/2017 15:10

Revolução chinesa: JAC T40 lidera novos planos da marca para o Brasil com lista de equipamentos acima da média para seu segmento

Não é implicância chamar o novo modelo da JAC Motors de hatch transformado em SUV. Afinal, foi exatamente isso o que aconteceu durante o desenvolvimento do projeto “A30”. Os primeiros esboços em 2012 apontavam para um compacto com linhas próximas a um Hyundai. Em meio à explosão dos SUVs (que hoje representam 23% do mercado brasileiro de carros zero-km), a decisão foi por levantar a altura da suspensão, elevar o capô, aumentar a inclinação do para-brisa e deixar a grade do radiador mais imponente. 

Assim nascia o T40 nas pranchetas do centro de design da marca em Turim, na Itália. O projeto foi bancado pelo Grupo SHC, que administra a marca chinesa no Brasil. O resultado final ficou próximo de um crossover aventureiro com 4,13 metros de comprimento, 1,75 m de largura, 1,56 m de altura e 18 centímetros de vão livre do solo.

T40 faz a estreia do novo logotipo da JAC Motors

“Eu queria um carro que tivesse uma maior impressão de tamanho”, conta o presidente do Grupo SHC, Sérgio Habib. Para demonstrar o resultado no evento de lançamento aos jornalistas, Habib colocou o T40 lado a lado com modelos concorrentes ou não, como Citroën Aircross, Peugeot 2008, Ford EcoSport, VW Golf e até o próprio JAC T5. Na comparação visual, o T40 pareceu realmente maior que os citados, mesmo sendo mais curto no comprimento e tendo distância entre os eixos (2,49 m) equivalente ou menor.

O espaço interno surpreende e acompanha a sensação de “grandeza” de seu exterior. O porta-malas é generoso para o segmento (450 litros). Para o motorista, a posição de dirigir é boa, mas a iluminação do computador de bordo no painel é fraca (algo que deve ser corrigido em breve, salientou Sérgio Habib). O sistema multimídia não tem GPS – item que é compensado de propósito pela conectividade com os celulares. “Eu nunca uso o GPS do meu carro, só o Waze”, declarou o executivo.

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MANSO, MAS SEGURO
Seu motor é o mesmo 1.5 VVT JetFlex que equipa o T5. Gera 127 cv de potência a 6.000 rpm e 15,7 kgfm de torque a 4.000 rpm, sempre no etanol. Os picos de desempenho em altas rotações denotam o que se percebe na prática: para fazer o T40 andar, é necessário acelerar sem se preocupar com economia. Na pista, acelerou de 0 a 100 km/h em 11s80, quase um segundo mais rápido que o T5, mas bem distante dos 9s8 declarados pela fabricante na ficha técnica. Entretanto, foi bem nos testes de consumo. Abastecido com etanol, fez 8,1 km/l no percurso urbano e 11,1 km/l no rodoviário.

Projetado sobre uma nova plataforma da JAC Motors, o T40 tem ótima estabilidade e gosta de estradas sinuosas. Os freios são a disco nas quatro rodas e tiveram excelente desempenho na pista: precisou de 38,37 metros para frear de 100 km/h até a imobilidade. No teste de fading (perda de eficiência dos freios quando quentes e com o carro carregado), a diferença entre a primeira (40,84 m) e a décima medição (42,34 m) foi de apenas 1,5 metro.

BELO CUSTO-BENEFÍCIO
O crossover deveria ser o primeiro modelo a ser produzido pela JAC Motors em Camaçari/BA. Como a fábrica ainda não saiu do papel, foi lançado primeiramente na China, em 2015. Para compensar os dois anos de atraso, o T40 chega com um pacote completo e muito atrativo. Sai por R$ 56.990 equipado com controle de estabilidade (ESP), assistente de partida em rampa, controle de velocidade de cruzeiro (cruise control), controle de tração, assistente de frenagem de emergência, direção elétrica progressiva e sensor de pressão dos pneus.

Desenho agrada, mas está mais para um hatch alto do que para um SUV

Porém, a versão principal é a de R$ 58.990 que inclui central multimídia, câmera de estacionamento traseira e câmera dianteira de segurança – pela qual o proprietário pode gravar imagens do percurso em um cartão de memória, tal qual virou moda em países como a Rússia. O preço vai a R$ 60.980 com a pintura bitom – na verdade, uma película feita pela 3M aplicada aqui mesmo no Brasil, que pode ser preta (com a cor laranja) ou prata (com a cor vermelha).

Por enquanto, a única opção de câmbio é a caixa manual de cinco marchas. O T40 com caixa automática CVT deve chegar no começo de 2018, por R$ 5.000 adicionais. Essa versão deve encabeçar os planos de renascimento da JAC Motors no Brasil após o fim das cotas de importação do programa Inovar-Auto. A marca ainda planeja lançar até 2019 os sucessores dos SUVs T5 e T6, além de uma picape e o SUV compacto T20 – e, finalmente, deve inaugurar a fábrica de Camaçari no segundo semestre de 2019, em um projeto menor e mais enxuto. Será que agora vai?