Porsche Macan GTS: Tá no DNA

GUSTAVO DE SÁ
de São Paulo (SP)
12/07/2018 15:16

 

Versão GTS do Macan acrescenta mais pimenta à receita do SUV e deixa cristalina a essência da Porsche

Olha só, é um Porsche! E é dos Estados Unidos!”. Esse foi o diálogo entre dois garotos de cerca de 8 anos de idade ao avistar o Macan GTS estacionado na porta de um colégio em São Paulo. Para minha surpresa, depois de eles darem a volta ao redor do carro, um deles me perguntou, pela abertura da janela: “What’s your name?”. Antes que eu pudesse responder, eles foram embora, com vergonha. A cena mostra que, apesar de ser um SUV, o Macan ainda traz o DNA da Porsche.

As grandes entradas de ar no para-choque, retrovisores apoiados nas portas, lanternas estreitas e saídas de escapamento circulares são alguns dos elementos de estilo tradicionais entre os modelos de Stuttgart que fizeram os garotos reconhecer o alemão de forma instantânea.

Já a confusão sobre a possível origem norte-americana do carro de teste é sinal de que os garotos faltaram nas aulas de Geografia: provavelmente, eles confundiram a sigla do Espírito Santo, na placa de identificação, com a inicial de Estados Unidos. Coisas de criança!

Os meninos foram embora antes de eu dar a partida no 3.0 V6 biturbo com 360 cv desta versão GTS – são 20 cv extras em relação ao Macan S. Com 51 kgfm de torque máximo disponível a partir de 1.650 rpm, ele levou o SUV de 0 a 100 km/h em apenas 4s9 em nossa pista de testes. Para efeito de comparação, o Audi SQ5 (6 cv menos potente e 50 kg mais pesado) fez a mesma prova em 5s5.

A suspensão, 15 mm mais baixa que o Macan S, tem comportamento irrepreensível em curvas - é possível escolher a rigidez dos amortecedores adaptativos por meio de uma tecla no console. Com mudanças quase que telepáticas, o câmbio PDK, de dupla embreagem e sete marchas, trabalha afinado com o V6 para garantir retomadas fortes para um SUV de 1.895 kg – foram 3s97 no ensaio de 40 a 100 km/h.

Apesar de bem-acabada, a cabine mostra certa defasagem visual na comparação com os Porsche mais recentes, como os novos Panamera e Cayenne. Exemplos disso aparecem no tamanho da tela da central multimídia (de sete polegadas, ante 12,3 dos ‘irmãos’) e no excesso de botões físicos no console.

Os belos bancos com revestimento que mescla couro e alcântara trazem a inscrição GTS costurada no encosto de cabeça. Como é tradicional entre os Porsche, a posição de dirigir é exemplar, assim como a empunhadura do volante. O conta-giros vem destacado ao centro do painel e a partida é feita por um botão à esquerda do volante – em formato de carro, a chave presencial pode ficar no bolso do motorista.

Um ponto poderia melhorar: a sensibilidade dos sensores de estacionamento nas quatro extremidades da carroceria é extremamente elevada. Em congestionamentos, avisos sonoros ecoam em nível muito alto a cada motociclista ou carro que passa ao lado do Macan. A solução é desligar os incômodos apitos toda vez que der a partida no motor. Afinal, a única coisa que o motorista de um Macan GTS (R$ 458.000) quer ouvir ao virar a chave é o belo ronco do V6.

*Texto publicado originalmente na edição 296 (junho/2018)da Revista CARRO

> Confira a tabela completa com os números de teste em pista: