Porsche 718 Cayman S prova que 4 é mais que 6

CLAUDIO DE SOUZA FLORENCIO
Da Motorpress, em Malmö (Suécia)
09/10/2016 17:00
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S
PORSCHE 718 CAYMAN S

Fãs da marca esportiva de Stuttgart não têm do que reclamar neste ano, afinal, sem ligar para a crise, a Porsche promoveu uma bela mexida em seu catálogo. Renovou a gama 911, lançou a segunda geração do sedã-cupê Panamera e, na reforma da terceira geração da dupla Boxster-Cayman (roadster e cupê), acrescentou um "718" à frente dos nomes – homenagem ao carro de corrida lançado nos anos 1950 – e substituiu os motores de seis cilindros de aspiração natural por novos quatro cilindros turbo de 2 e 2,5 litros.  

Lançamento do 718 Cayman no Brasil ocorrerá no final deste ano

Por fim, a Porsche alterou a posição de Cayman e de Boxster em sua tabela de preços: agora o cupê custa menos que o conversível. No Brasil, o Cayman chega no final do ano, em data próxima ao Salão do Automóvel de São Paulo (novembro). Mesmo com as esperadas variações cambiais até a data de lançamento, a fabricante alemã já divulgou os preços: R$ 346.000 pelo Cayman com motor 2.0 de 300 cv, e R$ 446.000 pelo Cayman S, que usa o motor 2.5 de 350 cv. Para comparar: hoje o Boxster custa R$ 368.000, e o Boxster S, R$ 466.000 (preços divulgados pela revendedora Eurobike).

Bem, no começo deste texto eu escrevi que os fãs da Porsche estão com a barriga cheia de novidades neste ano, certo? Pois essa afirmação leva em conta que, após ser obrigado a “engolir” dois SUVs (Cayenne e Macan) e um "sedã-cupê" (Panamera) desde o já distante 2003, nenhum porschemaníaco deveria perder o sono por causa da adoção de motores turbo com dois cilindros a menos que os históricos boxer de seis cilindros.

Traseira conta com lanternas conectadas, novo charme do Cayman

Trata-se de uma questão prática: a Porsche precisa melhorar a eficiência energética e reduzir as emissões de sua gama. Na Europa, isso é levado muito a sério pelos governos, que fixam regras e prazos rígidos. A solução rápida é só uma: downsizing de motores. Fabricar mais carros híbridos e elétricos é algo que virá com o tempo.

Na verdade, os novos motores 4-cilindros (que seguem a arquitetura boxer) são melhores que os antigos. As potências máximas de 300 cv e 350 cv dos motores turbo de 2.0 e 2.5 litros superam os 265 cv e 315 cv dos antigos 2.7 e 3.4. A velocidade final do novo 718 Cayman também é superior com os dois novos turbo, indo a 275 km/h e 285 km/h, respectivamente. No entanto, o destaque é a aceleração, que chegou a melhorar 0s7 no caso do Cayman 2.0 (0 a 100 km/h em 4s7). Mérito da maior potência, disponível em boa medida já antes das 2.000 rpm – em outras palavras, mérito do turbo...

Aerofólio traseiro pode ser acionado por botão no console central

Dirigi o 718 Cayman em vias urbanas e estradas da região de Malmö, na Suécia, e também num autódromo ali perto. A experiência foi mais enriquecedora porque, em maio último, acompanhei a apresentação da nova geração do Porsche 911, de versões muito mais caras (de R$ 500.000 a R$ 1,28 milhão) e com motores 3.0 e 3.8 biturbo, durante a qual pude dirigir alguns exemplares no autódromo Velo Città, no interior paulista.

E posso afirmar: a não ser que você seja um piloto profissional, ou então que faça questão dos dois lugares extras, é pouco provável que deixe de escolher um Cayman em vez de um 911.

Rodas são aro 19

O prazer de guiar é abundante nos dois, embora diferente: como o motor do Cayman é central-traseiro (atrás da cabine e antes do eixo), seu comportamento é mais neutro que o do 911, cujo motor traseiro ("pendurado" atrás do eixo) acaba proporcionando uma maior tendência de sobresterço – isso, claro, se todos os controles eletrônicos de segurança ativa, generosos nos dois modelos, estiverem desligados.

Não resta dúvida que o Cayman é mais amigável para o motorista comum. E este, a bordo de um cupê de dois lugares, com uma cabine mais austera (mas não menos luxuosa), talvez até se sinta mais contemplado no quesito "esportividade". Um verdadeiro esportivo, afinal, não pode ter nada que possa distrair o "piloto".

Motor boxer de 4 cilindros rende 350 cv e 42,8 kgfm de torque

As unidades que dirigi possuíam o câmbio robotizado de dupla embreagem PDK de sete marchas, que podem ser trocadas por borboletas atrás do volante (o Cayman também pode ser adquirido com caixa manual). Deixe a alavanca em D, e o que se tem é muita suavidade ao explorar a força do motor. Uma ressalva possível é que a segunda geração do Panamera já traz um novo câmbio, mais evoluído, com oito marchas – apesar de seus motores maiores. Na verdade, nem o novo 911 a recebeu.

O Cayman também possui vários sistemas de desempenho e de ajustes de suspensão e chassi, alguns opcionais – o mais interessante é o Sport Chrono, que deixa o carro o mais nervoso possível ao longo de 20 segundos. Como mencionei: fã de Porsche, não perca o sono! 

Ficha técnica do Porsche 718 Cayman S