Comparativo: Hyundai HB20 x Citroën C3

EDISON RAGASSI
de São Paulo (SP)
02/10/2017 15:32

Veículos com câmbio automático tem público cativo, principalmente entre aqueles que enfrentam diariamente o trânsito dos grandes centros urbanos. A afirmativa é de que o anda e para faz o motorista terminar o dia cansado.

A caixa que faz as trocas automaticamente já foi item disponível só em carros de luxo. O mercado brasileiro, até por falta de opções, por décadas contentou-se em comprar modelos só com trocas manuais.

Câmbio Hyundai HB20

Câmbio Hyundai HB20

Aconteceram algumas investidas tímidas para levar o veículo só com dois pedais a uma camada maior da população. Entre 1985 e 1990, a General Motors tinha em seu catálogo de produtos o Chevrolet Chevette com câmbio automático de três marchas. Em agosto de 1997, a fabricante de São Caetano do Sul, passou a equipar o Corsa Sedan, que depois passou a chamar Classic, com o câmbio automático de quatro marchas, vendido até 2007.

Câmbio Citroën C3

Câmbio Citroën C3

No mesmo ano, a Peugeot incluiu no compacto 206 a opção de câmbio automático de quatro marchas. O irmão Citroën C3, que é fabricado na mesma arquitetura do Peugeot e embaixo do mesmo teto em Porto Real/RJ, chegou depois em 2008.

Interior Hyundai HB20

Interior Citroën C3

A novidade agradou o público brasileiro, pois as marcas do Leão e do Chevron mantiveram a opção com trocas de marchas automáticas em catálogo, mesmo depois de lançar em 2012 a geração atual do C3 e em 2013 a do 208.

Passados 5 anos, acontece uma inversão, o C3 recebe primeiro a caixa automática da fabricante japonesa Aisin de 6 marchas com modo Eco, Sport, Drive e opção de trocas manuais sequenciais feitas através da alavanca.

Segundo os técnicos da Citroën, a inclusão do novo câmbio não exigiu mudanças nas suspensões e coxins. As calibrações de amortecedores e molas permanecem as utilizadas no C3 com câmbio de quatro marchas.

A versão topo de linha, EXCLUSIVE EAT6 custa R$ 65.490. Ao adicionar pintura metálica (R$ 1.790,00).

Entre os rivais da mesma categoria com pintura, o C3 enfrenta o Hyundai HB20 versão Premium. Ele tem preço sugerido de R$ 66.830, ao adicionar a pintura metálica (R$ 650,00) chega a R$ 67.480.

O compacto de origem coreana passou a ser fabricado em Piracicaba, interior de São Paulo, em 2012 e no mix de produtos apareceu a opção de câmbio automático com quatro marchas. Já em 2015 a empresa passou a oferecer o HB20 de câmbio automático 6 marchas com trocas de marchas manuais na alavanca.

Mecânica semelhante

No C3 a Citroën utiliza motor 1.6 16 válvulas VTI 120 Flex Start com 1.587 cm³, o qual tem potência de 115 cv (G)/118 cv (E) a 5.750 rpm, o torque é de 16,11 kgfm a 4.000 rpm abastecido com gasolina ou etanol.

O HB20 da Hyundai é equipado com propulsor Gamma 1.6 16v DOHC CVVT Flex de 1.591 cm³. Entrega potência de 122(G)/128 cv (E) a 6.000 rpm e16,0 kgfm (G) a 4.500/16,5 kgfm (E) a 5.000 rpm de torque.

Ambos os propulsores são montados em bloco de alumínio, o comando de válvulas é variável na admissão e não utilizam o tanque auxiliar de gasolina para a partida a frio.

A suspensão dianteira do C3 e HB20 é independente McPherson, porém a Citroën chama de ‘Pseudo McPherson’, e na traseira eixo de torção. Os freios são a discos ventilados na parte da frente e tambores na traseira.

Impressões ao dirigir

Em movimento, o conjunto motor/câmbio do HB20 tem desempenho melhor por causa da calibração. O câmbio é mais amistoso, principalmente nos aclives. Desenvolve velocidade constante, sem trancos nas mudanças. Enquanto que no C3 ao enfrentar a subida, o câmbio parece pensar se vai fazer a troca ou não.

Painel Citroën C3

Painel Citroën C3

Ao sair da inércia, velocidade até 40 km/h, como mostram os números obtidos na pista de testes, os compactos se assemelham. Uma pequena vantagem para o C3 que vai a 1.250 rpm para atingir esta velocidade e o HB20 precisa de 1.750 rpm.

Painel Hyndai HB20

Painel Hyundai HB20

Em compensação, na rodovia o carro da Hyundai chega 100 km/h com 2.100 rpm e o Citroën necessita de 2.500 rpm para manter a mesma velocidade.

Isso se reflete no consumo, abastecido com etanol o C3 (7,0 km/l-cidade/ 9,9 km/l-rodovia), que ainda tem a seu favor a direção com assistência elétrica, bebe menos que o HB20 (6,9 km/l- cidade/ 9,6 km/l- rodovia), o qual utiliza assistência de direção hidráulica.

Os ajustes das suspensões nos dois modelos atendem as necessidades para veículos deste porte. Firme nas curvas, macio ao passar por valetas, lombadas e imperfeições do asfalto.

Dimensões e capacidades próximas

A carroceria do compacto da Citroën tem comprimento de 3,94 m e o da Hyundai 3,92. Na distância entre os eixos o C3 chega a 2,46 m. O HB20 ganha do rival com 2,5 m.

Os dois empatam na capacidade volumétrica do porta-malas sem rebater os bancos, 300 litros e o C3 leva vantagem ao abaixar o encosto traseiro, 1.000 litros, contra os 900 litros do HB20.

Tradicionalismo X Modernidade

No visual externo, o desenho arredondado da carroceria do Citroën C3 mostra desgaste. Como descrevemos no início, ele está no mercado dede 2012 sem atualizações. As mudanças foram internas, incluíram central multimídia, capacitada para espelhar smartphones e trocaram o motor da opção de entrada, era 1.5l e passou a ser 1.2l PureTech 3 cilindros.

Central multimídia Citroën C3

Central Multimídia Citroën C3

O HB20 que chegou ao mercado no mesmo ano, recebeu atualização, ela foi feita em 2015. Chegaram novos para-choques, faróis, lanternas e grade frontal. A central multimídia ganhou recursos como a paridade com Android Auto e Apple Carplay. E o motor deixou de usar o tanquinho de partida e frio.

Central Multimídia Hyundai HB20

Central Multimídia Hyundai HB20

No interior os instrumentos de medição como velocímetro e conta-giros do C3 são analógicos. O computador de bordo aponta consumo médio, instantâneo, autonomia, velocidade média e distância. Mais informações estão disponíveis na central multimídia. Estes itens são diferentes no Hyundai, que tem distância 1 e 2, consumo médio, instantâneo, autonomia e tempo de viagem.

Ambos têm ar-condicionado digital, porém, a iluminação do equipamento no C3 só é ativada com ele ligado, o que gera alguma dificuldade para encontrar os comandos no período noturno.

No acabamento, o Citroën C3 é mais requintado, painel com material sensível ao toque, o HB20 utiliza plástico.

Equipamentos de série

As versões topo de linha dos compactos são completas, o C3 tem faróis de neblina, luzes diurnas de LED, vidros e travas elétricos nas quatro portas, ajuste elétrico dos retrovisores externos, central multimídia com tela de 7 polegadas, para-brisa Zenith, acendimento automático dos faróis, sensor de chuva, limitador e regulador de velocidade, sensor traseiro de estacionamento, rodas de liga leve 15 polegadas e assistência de direção elétrica.

Para o HB20 a Hyundai disponibiliza, faróis com projetor e light guide de LED, faróis de neblina dianteiros, vidros, travas elétricas nas portas e porta-malas, abertura e fechamento dos vidros por meio da chave canivete, retrovisores externos com ajuste elétrico com rebatimento automático, sensor de estacionamento traseiro, crepuscular e rodas de liga leve 15 polegadas